Pedir perdão

Pedir perdão talvez seja uma das coisas mais difíceis de fazer na vida.

Chegar assim, na lata, e dizer:

“Por favor, eu errei e preciso do seu perdão.”

Você faz isso com facilidade?

Sério?

Misericórdia!

Só de pensar me dá arrepios.

Eu acredito que para isso a primeira coisa que você tem de fazer é reconhecer que errou.

Vamos combinar, minha gente. É nobre, mas não é fácil.

Reconhecer, admitir, assumir e ainda verbalizar que errou é mesmo só para os nobres.

Você primeiro aceita lá dentro do coração que aquilo que jurava ser certo, na verdade, não passa de uma enorme estupidez.

Depois de aceitar isso dentro do seu miolo, tem de ter coragem para sair da toca.

É coragem para sair da toca.

Quando você erra, tudo que quer é ficar trancado dentro da toca.

Mas é preciso ter coragem de sair e consertar toda a caca que fez.

Mas cadê a coragem?

Depois que você arruma a tal da coragem, não se sabe de onde, sai e vai procurar quem foi prejudicado pela besteira.

Aí começa a parte mais dolorida.

Muitas vezes, quem se viu sacaneado não quer ver você nem feito de ouro maciço, nem pintado a ouro, nem de jeito nenhum. E você, para conseguir resolver as coisas, pedir perdão, tem de convencer o cara a encontrá-lo.

Puxa vida! É um desespero.

Quando enfim convence o cara ao encontro, isso é, se você não usou qualquer um desses obstáculos acima como desculpa para desistir, ocorre o que para mim é a parte mais tenebrosa: o encontro de fato, quando você fala, olhando no olho de quem foi prejudicado, assim:

“Eu errei. Fiz uma besteira que nunca deveria ter feito, preciso do seu perdão.”

Caraca, velho!

Se você tem coragem de fazer isso tem todo o meu respeito.

Não é chegar pedindo desculpas não! Desculpas a gente pede para o cara em cujo pé a gente pisou de leve no metrô lotado.

Quando é coisa assim tão grande, o único remédio é chegar humildezinho e pedir perdão.

E você tem coragem?

Meus parabéns!

Caso seja como eu, não tenha encontrado a coragem de que precisa, procura aí pela casa, chame um amigo que é mais valente para ir  com você nessa missão!

Mas vai lá, converse com quem foi prejudicado pela besteira feita por você.

Não é fácil, mas, se tem gente que consegue, você também dar conta!

Mas assim, vai feito homem: bem vestido, cheiroso e olhando nos olhos.

Depois disso, aquele peso gigante sai quicando das costas!

Sai mesmo.

E se depois de tudo isso o cara não perdoar?

É. Tem essa possibilidade, da pessoa simplesmente mandar catar coquinho e virar as costas.

Mas aí já não é com você, filhote.

Sua parte está feita.

Agora, você pode seguir em paz!aaaaa

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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