Pequeno investidor terá acesso ampliado ao BDR a partir de setembro; saiba como funciona

Por Rafaela Rodrigues/Ascom (ExpertaMedia)

Investir fora do país não é algo restrito somente a quem pode abrir conta em instituições financeiras internacionais.

O investidor brasileiro pode sim ter acesso a algumas das maiores empresas do mundo negociando na própria B3.

A explicação está no chamado BDR, ou Brazilian Depositary Receipt, que, na prática, são certificados de depósito de valores mobiliários emitidos no país, mas que representam valores de empresas estrangeiras.

Estes certificados já são soluções conhecidas no mercado, mas, até agora, eram interessantes apenas para determinados perfis de investidores.

Para entender melhor: o Brasil pode emitir ações de empresas estrangeiras via instituições conhecidas como depositárias, que são aquelas que têm autorização do Banco Central para fazer este tipo de operação e contam com a regulamentação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) .

Ao comprar BDR, o investidor não compra as ações diretamente, mas adquire pequenas cotas de ações disponibilizadas pelos seus donos.

Isso significa que benefícios como os proventos somente são pagos ao investidor por meio de um intermediário entre ele e a empresa.

Ainda assim, para o investidor brasileiro, o BDR é uma possibilidade de ter parte de grandes companhias estrangeiras que faturam muito acima da média, como a Coca Cola e a Apple.

Já para as empresas estrangeiras, esta é uma oportunidade para captarem dinheiro no mercado nacional.

O que mudou 

A grande novidade é que a CVM modificou a regra vigente em relação ao BDR, permitindo que investidores de varejo possam fazer esse tipo de investimento. Da mesma forma, empresas brasileiras listadas fora do país poderão emitir BDR.

Isso ocorre dentro de um contexto em que um número maior de pessoas começa a recorrer ao investimento de renda variável.

Somente em abril de 2020, a B3 registrou 2,38 milhões de CPF’s cadastrados, aumento de 42% em relação ao mesmo mês do ano anterior.

Além disso, com a queda da Selic, a rentabilidade dos investimentos em renda fixa se mostra menos atrativa, tornando o segmento de renda variável mais interessante para quem busca resultados expressivos.

É nesse cenário que aparece o aumento de ofertas, como na solução anunciada pela CVM.

Consequentemente, a tendência é que fundos negociados no exterior, como ETF (Exchange Traded Fund) de Bolsas dos mais diferentes mercados mundiais, fiquem mais baratos e acessíveis localmente.

Benefícios para a economia brasileira 

Circunstâncias econômicas podem afetar a economia de um país e fazer com que empresas prefiram atuar em outros centros, o que fica ainda mais evidente em momentos de estagnação financeira.

Alterações como esta do BDR realizada pelo CVM permitem que empresas que atuam em outros mercados tenham a possibilidade de deixar parte da sua oferta no Brasil, retendo parte da sua liquidez no mercado nacional.

Indiretamente, isso também é interessante para o investidor. De fato, maior acesso ao BDR representa, acima de tudo, maior oportunidade de chegar a grandes companhias, mas também a possibilidade de diversificar a carteira em busca de resultados de organizações de mercados e propostas diferentes.

Esse cenário revela amadurecimento do mercado de renda variável no país, e pode trazer uma série de benefícios futuros.

Como investir em BDR

Não é difícil investir neste tipo de solução. O BDR pode ser um primeiro passo simplificado para quem pretende começar a colocar dinheiro no mercado de ações.

Assim, é necessário abrir uma conta em uma plataforma de investimento. Por se tratar de um ativo de renda variável, o BDR é negociado dentro do Home Broker da instituição.

Cabe ao investidor identificar o código do fundo de seu interesse e fazer a oferta de acordo com a disponibilidade daquele ativo.

Com o anúncio da B3, a tendência é que fique mais fácil para o investidor pessoa física ter acesso ao BDR.

Entretanto, vale lembrar: BDR não substitui o mercado de compra de ações feito diretamente em Bolsa estrangeira, uma vez que nem todas as empresas internacionais estão disponíveis para negociação neste tipo de fundo.

O mais importante é que o investidor avalie cada oferta e invista seu dinheiro somente onde acredita que pode ter retorno, considerando o conjunto de ativos disponível.

Redacão Jornal do Sudoeste

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