Perfil do estudante da Uesb diversifica nos últimos anos

Por: Assessoria de Comunicação – VCA

 

 

Quando Kaylane Rocha nasceu, em 2003, ela não imaginava que, quase vinte anos depois, seu perfil seria do principal público da Uesb. Isso porque a cara das universidades públicas passou por uma grande transformação nos últimos anos.

Mulher, preta, oriunda de escola pública, Kaylane ingressou na Uesb por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), em 2020. Ela sempre sonhou em fazer a graduação na Instituição e agora, com 19 anos, a estudante do terceiro semestre de História se sente realizada. “Eu me sinto muito privilegiada pela oportunidade de estudar em uma universidade de referência. A estrutura e variedade de cursos permitem que a gente conheça diversas realidades, com pessoas plurais”, define.

Natural de Brumado, Kaylane conta que, hoje, é muito perceptível a grande variedade de culturas e costumes na Universidade. Com a multicampia, a Uesb já traz, em cada atmosfera ambiental em que está inserida, a diversidade de feições e sotaques. Mas, para além disso, a nova realidade socioeconômica e racial encontrada nos corredores da Universidade vem da compreensão das necessidades e das demandas da sociedade, observadas pela atual gestão.

Por meio da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas, Permanência e Assistência Estudantil (Proapa), criada em junho de 2022, a Universidade reconhece que é preciso oferecer mais que recursos financeiros. “Conhecer e acolher as demandas desse grupo que, finalmente, chega às universidades, e, ao mesmo tempo, promover mudanças no cotidiano do campus são ações que devem andar de mãos dadas”, comenta a professora Adriana Amorim, que está à frente da Proapa.

A estudante Kaylane também sabe o quanto as políticas públicas são essenciais para que os estudantes possam concluir a graduação. Uma das razões pelas quais ela escolheu a Uesb foi a realidade da assistência estudantil. “É um papel de extrema importância, ao garantir que pessoas ingressem em uma universidade pública, de qualidade e excelência, com formas de inclusão que garantam a permanência”, reflete.

Se depender da futura historiadora, essa história não acaba com a graduação: novas pessoas continuarão associando seu rosto com a Uesb. “Eu pretendo fazer meu mestrado e doutorado aqui! Um dos motivos de eu ter escolhido vir fazer História na Uesb é que o curso é antigo e tem toda uma base e estrutura”, finaliza.

Diversidade muda a cara do Ensino Superior – Por que encontrar rostos como o de Kaylane pela Universidade não era tão comum? “A cara, o perfil, o corpo da nossa Uesb e das universidades em geral estão muito diferentes do que eram há 10 anos”, reflete a professora Adriana Amorim. “A mudança está nas cores da pele, nos cabelos, nas roupas, no modo de andar, de estudar, de se locomover pelo campus e fora dele. A imagem do universitário como alguém branco, magro, de óculos e cabelos lisos já não é mais um ícone que remete aos estudos”, completa a pró-reitora da área.

Hoje, efetivamente, a Uesb tem a cara de Kaylane. Dados da Secretaria Geral de Cursos apontam que a Universidade chega em 2022 com cerca de 66% da sua comunidade (tabela abaixo) formada por pessoas pretas ou pardas (consideradas negras pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), sendo que quase 59% desses estudantes são mulheres.

Para a professora, a diversidade é reflexo das políticas de acesso, seguidas das ações de permanência. De fato, os números mostram que, desde 2009, com a implantação do sistema de reserva de vagas que considera os recortes socioeconômico e de cor, mais de 12.600 cotistas já ingressaram na Uesb.

A pró-reitora lembra que essas políticas são fruto de muita pressão social e da mobilização da sociedade, com diálogo e, às vezes, com embates. “A pressão altera a cultura, a prática, o costume e, assim, a lei se torna um mecanismo eficaz de estabelecimento de uma nova ordem”, conclui.

A Uesb é para todos – Para garantir a pluralidade da comunidade acadêmica, atualmente, a Uesb conta com cinco formas de ingresso. O Vestibular e Sisu são as entradas tradicionais. Além delas, existe a seleção de transferência, com entrada semestral, que permite o ingresso de estudantes que já estão cursando o Ensino Superior em instituições públicas ou privadas.

Outras novidades são a seleção para portadores de diploma e o processo seletivo especial, ambos para a oferta de vagas ociosas. Com mais essas oportunidades, a expectativa é de que o público da Universidade se diversifique ainda
mais e envelheça, já que os dados mostram uma comunidade acadêmica eminentemente jovem, com 83% dos estudantes de até 30 anos.

 

 

Foto de capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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