Pesquisa da Uesb aponta o erro como elemento positivo no ensino de Espanhol

Por Ascom/ Uesb

 

“Quando a gente encontra um idioma desconhecido, é meio assustador”. Foram com essas palavras que Fabiana Castro, aluna do curso de Filosofia da Uesb definiu o medo ao aprender uma língua estrangeira. Na Universidade, ela teve o primeiro contato com o Espanhol, na disciplina ofertada pela professora Iris Souza, lotada no Departamento de Estudos Linguísticos e Literários (Dell).

Por compreender os motivos que levaram Fabiana e outros alunos a não obterem sucesso no aprendizado da língua, Iris ousou inovar no processo de ensino do idioma. A partir da sua pesquisa de dissertação no Mestrado em Letras: Cultura, Educação e Linguagens (PPGCel), a linguista constatou que o erro no aprendizado do idioma pode ser usado como ferramenta de acerto.

Foi a partir da pesquisa “O erro para além de Corder: uma abordagem de ensino de língua espanhola dialogando com os gêneros discursivos”, que a autora propôs mudanças no ensino, utilizando da própria falha para deixar os alunos mais à vontade. O estudo teve como base a “Análise de Erro”, de Stephen Pit Corder, linguista responsável por classificar os erros praticados por alunos nas aulas de língua inglesa e transformá-los em aliados para o desenvolvimento.

Mas a pesquisadora foi além do teórico. Iris resolveu aplicar a teoria no ensino da língua espanhola. Inicialmente, a professora estimulou os alunos a ouvirem, falarem, escreverem e lerem o idioma. “Usei a metodologia de ensino por meio de gêneros discursivos, cujo erro foi ferramenta didática positiva para o desenvolvimento das quatro habilidades linguísticas na língua”, contou.

A pesquisa foi aplicada em uma turma da segunda série do Ensino Médio, no Colégio Modelo Luis Eduardo Magalhães, em Vitória da Conquista. Com o desenvolvimento da investigação científica, a pesquisadora percebeu a efetividade do método e a constante necessidade de deixar os alunos menos apreensivos com os erros cometidos durante o processo de ensino-aprendizagem. Devido ao bom rendimento, a professora passou a utilizar a metodologia no Ensino Superior. “Essa pesquisa pode ser aplicada em quaisquer contextos de aprendizagem, não se restringe a aprendizagem de língua espanhola. O erro e a vida fazem parte da existência de seres vivos, portanto, é, praticamente, impossível dissociá-los”, considerou a professora.

Assim, durante a graduação em Filosofia, Fabiana pode articular melhor a compreensão de textos da área a partir dessa metodologia aplicada. Segundo a estudante, a demanda por traduções de livros de origem espanhola é grande, e cada palavra carrega um conceito de acordo o contexto cultural do autor. “Essa problematização e cuidado com cada termo é importante para evitar conflitos nas terminologias”, contou Fabiana.

Errando e aprendendo – De acordo a docente, a metodologia não estimula o aluno a fixar o erro, mas faz com que ele perceba que o equívoco pode levar ao acerto. A pesquisadora acredita que somente avaliar o estudante da forma tradicional, apontando o desacerto, é uma forma de educação excludente, que não oportuniza o aluno de decodificar o erro. “A necessidade de um ensino que propicie aos aprendizes a percepção de que se aprende também errando, se faz necessário no cotidiano escolar”, conclui a pesquisadora.

A pesquisa resultou ainda na publicação do livro “Nadar contra a correnteza: navegar com o erro promovendo-o de antagonista a protagonista nas aulas de língua espanhola como língua estrangeira”, publicado pela Editora Dialética.

Foto de Capa: Divulgação.

Jornal do Sudoeste

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