Pesquisa na Uesb mostra como aprender História das Ciências por meio de tirinhas

Por: Ascom UESB VCA

Muitos livros didáticos de Ciências falam sobre a lua, mas, por vezes, não mencionam Galileu Galilei. Algumas disciplinas como Geografia, História ou Ciências abordam o formato esférico da Terra, mas, raramente, trabalham o nome de Eratóstenes. Pensando em formas didáticas de conhecer mais a História das Ciências, bem como esses e outros grandes nomes que contribuíram nessa trajetória, o professor e pesquisador Marcos Oliveira dos Santos encontrou nos cartoons uma possibilidade de levar isso até a sala de aula.

Desenvolvido no Mestrado Profissional em Ensino de Física da Uesb, o estudo científico mostra que as tirinhas tornam mais acessíveis os conteúdos trabalhados, visto que utilizam uma linguagem simples, curta e divertida. “Muitas vezes, somente a imagem já dizia muito sobre a temática. Ao invés de leituras densas, a pesquisa priorizou a leitura de imagens e frases curtas, todavia com teor enriquecedor, que deu suporte ao aprendizado e garantiu o sucesso da sequência didática”, pontua Santos.

Passo a passo – Aplicada em uma turma do 7º ano do Ensino Fundamental de uma unidade escolar da rede pública de ensino no Sudoeste da Bahia, a pesquisa teve início com a aplicação de um questionário socioeconômico familiar. Em seguida, houve um momento de apresentação e discussão, entre os alunos, de tirinhas produzidas pelo próprio pesquisador, como forma de problematização inicial. Nessa etapa, houve pouca ou quase nenhuma participação do professor nas discussões.

Na sequência, as mesmas tirinhas foram reapresentadas de acordo com as temáticas abordadas. Nesses encontros, foi possível utilizar os mesmos cartoons para apresentar mais sobre nomes como Eratóstenes, Isaac Newton, Edwin Hubble, Nicolau Copérnico, Claudio Ptolomeu, Johannes Kepler, Galileu Galilei e Giordano Bruno, bem como suas contribuições científicas. Temas como a gravitação, as medidas de comprimento e volume, o Sistema Solar, a lua fizeram parte dessas discussões.

Por fim, os estudantes foram estimulados a confeccionar suas próprias tirinhas, desenvolvendo habilidades artísticas e conhecimentos científicos. “A pesquisa não ficou restrita a sala de aula. Houve confecção e representação dos astros do Sistema Solar em ambiente externo e ilustrados nas tirinhas com suas várias características. Como destaque, podemos citar a tirinha ‘Galileu Galilei’ retratando a estrutura ‘esburacada’ do satélite natural da Terra”, conta Santos.

O pesquisador revela ainda que, além de êxito no processo de ensino-aprendizagem, a metodologia pensada estimulou o espírito de cooperação entre os estudantes. “Propiciamos momentos em que os estudantes assumiram papel relevante, como devia ser, no processo de ensino-aprendizagem”, salienta.

A ciência presente no dia a dia – Assim como os cartoons, outras tantas linguagens do cotidiano revelam que a ciência está presente ao redor das pessoas. Para Santos, um dos papeis do pesquisador é esse: “tentar aproximar as pessoas do conhecimento científico, mostrar que estamos rodeados de ciências – nesse caso, a Física –, desmistificando uma ideia errônea que experimentos e demonstrações só podem ser realizados em grandes laboratórios e que estão muito além da realidade escolar”.

Por meio das tirinhas, por exemplo, foi possível abrir portas de conhecimento mais acessíveis e divertidas na hora de desbravar o Universo. “Podemos dizer que pequenas ações, como uma simples tirinha, podem carregar muitas informações do Universo da Física”, finaliza Santos.

Conheça outras pesquisas no site do “Ciência na Uesb”

 

 

 

Foto de Capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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