PINGUÇOS E MENSALEIROS

Quando eu digo que o Brasil tem hoje o pior quadro Legislativo de sua história, ainda há quem duvide. Se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal fartaram-se na era Lula com a viciante cachaça da corrupção, agora, na era Dilma, parecem estar vivendo sob o signo alcoólico do bêbado com chapéu-cocô. Cocô mesmo! Típico de Vossas Excrescências. E nós seguimos, lenientes, aplaudindo as bizarrices desse picadeiro fétido.

Tão logo a presidenta Dilma Rousseff errou a mão na preparação de uma omelete para Ana Maria Braga e anunciou um aumento de 19% a 45% para o Bolsa Família, o líder do Governo na Câmara, Cândido Vacarezza, veio a público defender sua atual chefe e o histórico de seu ex-patrão.

Numa bela chance de ficar quieto, o deputado justificou o aumento do principal programa social do Governo e, numa alusão às críticas oposicionistas de que os beneficiários estariam comprando pinga com os recursos, afirmou: “mesmo que cada uma das famílias compre um litro de cachaça, são 12 milhões de garrafas de cachaça por mês e isso ajuda a economia do país”.

Portanto, em nome do desenvolvimento do Brasil, sejamos pinguços!

Já que estamos falando das atualidades tão bêbadas quanto esdrúxulas do Poder Legislativo brasileiro, o que dizer sobre a composição da Comissão Especial da Reforma Política?

Instituída pela Câmara na última terça-feira, dia 1º de março, terá a missão de discutir e elaborar um arcabouço sobre temas como a fidelidade partidária, a adoção do voto distrital ou a manutenção da votação proporcional, a criação ou não da lista partidária e, principalmente, o famigerado financiamento público de campanhas eleitorais.

Como o Brasil é o país da piada pronta e da falta de vergonha na cara legitimada, para compor os 41 titulares da comissão foram escolhidos nomes como o deputado paulista Paulo Maluf e os réus do escândalo do mensalão Valdemar Costa Neto (eleito na aba do milhão de votos que São Paulo deu ao palhaço Tiririca) e o mineiro Eduardo Azeredo.

Também estão nomeados para a comissão a deputada candanga Jaqueline Roriz (filha do ex-senador e ex-governador Joaquim Roriz, que teve a candidatura cassada com base na Lei da Ficha Limpa) e o sergipano Almeida Lima (célebre pela defesa intransigente do senador Renan Calheiros durante o processo de cassação no Senado Federal).

Para completar a inglória comissão que pautará a Reforma Política do nosso país, foi destacado o petista cearense José Nobre Guimarães, que além de ter enfrentado um processo de cassação quando era deputado estadual e figurar na lista promíscua dos “recursos não contabilizados” de Marcos Valério, ainda tem no currículo um irmão chamado José Genoíno (ex-presidente do PT e réu no STF no processo em que é acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha).

Para refrescar a memória, o deputado José Nobre Guimarães é aquele cujo assessor foi preso em 2005 com quase meio milhão de Reais em uma mala e US$ 100 mil na cueca.

Como moldura desse quadro tétrico, estavam presentes na sessão de criação da comissão o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Ricardo Lewandowski, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o vice-presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Ayres Britto, e o vice-presidente da República, Michel Temer, que justificou a composição enodoada da comissão com a pérola: “não é preciso convocar doutor para falar sobre Reforma Política”.

São por essas e outras que um deputado como Tiririca vai parar na Comissão de Educação e Cultura da Câmara ou que notórios ladrões e mensaleiros vão cuidar da tão necessária reforma política brasileira.

Temer entra na lista dos que perderam uma boa oportunidade de ficarem calados.

Que esses canalhas nacionais, bandidos de terno de gravata e sem qualquer vergonha na cara, coloquem suas barbas de molho.

Em breve, chegará o dia em que o povo brasileiro, esse sim envergonhado e humilhado, sairá às ruas em protesto, tal qual acontece no Norte da África e no Oriente Médio, até que sejam depostos os coronéis feudais, os petequeiros do dinheiro na cueca, os corruptos mentirosos, os nobres bravateiros e os preclaros ladrões que infestam a política brasileira.

Talvez nesse dia possamos erguer um brinde com a tal cachacinha do Vacarezza.

Até lá, ainda vamos seguir batendo palmas para as macaquices dos palhaços.

Triste destino.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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