PROCESSO

Há dias “o míope” não aparece – parece que gosta mais de Caetité – e há dias estamos em Itajubá. Vamos retornar logo. Mas ele chegou hoje, que extemporâneo porque uma segunda-feira e foi logo dizendo que copiasse o que se segue:
“… se a justiça é cega, o símbolo do Judiciário brasileiro poderia ser tartaruga de óculos escuros. Na praia, talvez. Dizer que a Justiça é lenta, muito lenta, já se tornou ladainha…”
Não entendemos, no início, onde ele iria chegar. Pausadamente ele retirou um recorte bem descorado de um jornal, lá do interior de São Paulo (Andradina) edição de junho (parece) de 1968. É que de 1963 a 2005 mantivemos uma coluna no “Jornal da Região”, com título de “Olho Mágico” e de certa feita, tendo recebido um cheque sem “fundos” e durante 13 meses tentando, na justiça receber não conseguimos e fizemos um comentário na coluna semanal onde afirmava que “a justiça era lenta, morosa”. O doutor Promotor (que anos depois foi aposentado) nos “processou” e o Meritíssimo Juiz da Comarca de Andradina (nós morávamos em Mirandópolis , 45 quilômetros distante) nos puniu mandando publicar, na mesma coluna, no mesmo corpo e etc., um arrazoado de defesa da “Justiça que não era assim tão lenta”. Foi o primeiro processo contra nós e aí como “jornalista”. Tivemos que contratar um advogado – um amigo que culminou como Professor da Faculdade de Direito da USP – e acontece que o Meritíssimo Juiz com contato conosco entrou no “rol das amizades que em São Paulo são eternas” e até hoje mantemos contato, ele, o Juiz, que no ano passado entrou na “compulsória”. ***Foi então que “o míope” vazou no nosso “mutismo” e enfatizou: “você disse apenas que a justiça era lenta e como em regime de “exceção” (ditadura então) teve o processo. Imagine só o que iria acontecer ao jornalista Fernando de Barros e Silva, colunista na Folha de São Paulo” que foi o autor do escrito acima que abre um belo artigo opinativo, na segunda folha do jornal, com título de “Menos férias, mais justiça”? Não comentamos nada. Ainda continuamos voando ao passado… ***Mas “o míope” tinha mais recortes como as notícias relacionadas às mortes de José Mindlin, aos 95 anos – um empresário que gostava tanto de ler e de livros que legou agora à USP uma biblioteca com 38 mil títulos – e, também, o assassinato brutal do cartunista Clauco e seu filho, deixando nós sem “o geraldão”, por exemplo. E mais notícias relacionadas – não com o Arruda – mas com uma quadrilha de funcionários – 70 servidores públicos – que fraudavam o “auxílio-creche e vale-transporte e o rombo passa de nada menos, nada mais que 2,1 milhões de reais!… ***Mas bom mesmo foi o que disse a Senadora Marina Silva: “…o Presidente Fernando Henrique ganhou sozinho e, para governar teve que ficar refém do Democratas; o presidente Lula ficou refém dos setores mais retrógrados do PMDB. Isso não é bom para o Brasil.” ***Dia de semana é sempre puxado, mesmo para quem já não é obrigado a bater o ponto como nós, sempre às sete horas da manhã e daí apenas ouvimos a leitura de um recorte: “…O governo José Roberto Arruda (está preso ainda o homem) tinha em seus quadros de governo 8.660 comissionados”.” O governo federal que tem cinco vezes mais funcionários, tem 5.560 cargos comissionados”. Não é sem razão que a doutora Raquel Dodge, Procuradora da República, mandou o Arruda (itajuabense) ficar a olhar o sol nascer quadrado – conclui “o míope” enrolando a papelada trazida. E terminou exigindo – o que aliás agilizamos – um suco de “umbu” de primeira para apaziguar o calor.  

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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