Projeto voluntário vira livro e documentário

Crowdfunding, nada mais é que um sistema de financiamento coletivo para arrecadar de forma colaborativa capital para lançar projetos independentes. Através de vídeos e textos explicativos a pessoa apresenta sua ideia, valor que necessita e a data limite para conseguir a quantia. Cada pessoa que contribuir com o projeto apresentado são recompensados de alguma forma, por exemplo, com brindes, camisetas, pôsteres, etc.

Com o lançamento de vários projetos, a “vaquinha coletiva” atrai jovens escritores, fotógrafos, músicos e empreendedores, porém nem todos os projetos tem compromisso com a realidade e geram polêmicas, como o recente caso da hamburgueria que pretendia arrecadar 200 mil. O assunto dividiu opiniões e o financiamento saiu do ar.

No entanto, existem projetos sérios e bem sucedidos que arrecadam o valor estimado, é o caso da Letícia Mello, que atingiu o valor para publicar seu livro Do for Love – bateu 127% da meta e foi apoiado por 360 pessoas. “Essa história vai muito além de simples relatos de viagem. Eu trago todos os meus medos, superações e motivações à tona. Me exponho, porque acredito que isso nos aproxima como seres humanos. E com isso tenho a intenção de incentivar e inspirar pessoas a acreditarem na sua própria verdade, ignorando o que a sociedade ou nossas crenças nos impõem. Eu decidi realizar esse projeto porque eu não me conformava em ter uma vida banal. O que a sociedade me oferecia, não era o que me preenchia. Eu queria mais. Eu queria um propósito que refletisse positivamente na vida das pessoas”afirma Letícia, idealizadora do Do for Love.

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Letícia Mello, escritora e viajante, compartilha sua experiência de seis meses no Sudeste da Ásia como voluntária em projetos sociais em seu livro. Ela narra suas aventuras e obstáculos que encontrou durante o período que deu aulas para crianças, monges, policiais e agricultores no Camboja, Tailândia e Vietnã. “Arrecadar o valor necessário antes do tempo e transformar o projeto em livro, mostrou que as pessoas acreditam junto comigo nesse projeto, e isso não tem preço!”, comenta Letícia. “O período que passei na Ásia transformou a minha vida, foi um conjunto de experiências de superação e aprendizado, e receber o apoio de tantas pessoas é gratificante” conclui.

Atualmente, Letícia está na Ásia gravando o primeiro documentário sobre seu projeto social “Do For Love”.  Eu amei esse voluntariado, e quero compartilhar com o mundo, porque eu vivi muito de perto com os locais. Eu morava com professoras tailandesas, ou seja, eu fazia tudo como elas: tomava café da manhã no chão sob uma esteira, tomava banho de caneca, dormia em um colchonete fininho coberto com uma rede de proteção contra mosquito, almoçava a mesma comida que eles na escola e andava de bicicleta com meus alunos no final do dia. Eu era tratada como parte da família, eles cuidavam muito de mim e mesmo que tivessem muito pouco, sempre me davam o melhor que tinham”diz Letícia.

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Juntamente com o cineasta Lucas Bogo, eles passarão 40 dias revisitando os projetos e amigos que Letícia deixou para trás na Tailândia, Camboja e Vietnã. “Retornar em cada um desses projetos que eu voluntariei está sendo uma experiência muito gratificante, além de ser algo que mexe muito comigo. Quando eu fiz essa viagem eu jamais imaginei que a transformaria em um livro. E agora estou de volta em cada um desses países com o meu livro em mãos, o apresentando para meus amigos que fiz em cada projeto e, além do mais, gravando um documentário que tem por objetivo mostrar para mais pessoas a importância do trabalho voluntário e de maneiras alternativas de viajar e também de se aproximar e aprender com as pessoas locais”, completa Letícia.

As passagens aéreas para a gravação do documentário foram financiadas por meio da venda de camisetas do projeto durante as festas de lançamento do livro nas cidades de São Paulo, Curitiba, Balneário Camboriú, Florianópolis, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro, sendo que esses lançamentos só foram possíveis por meio do valor que excedeu a meta inicial do crowdfunding. Apesar do documentário não ter sido feito por financiamento coletivo, Letícia Mello afirma que com certeza usaria essa ferramenta novamente para financiar projetos futuros.“O financiamento coletivo abriu portas que eu jamais imaginei que existiam muito mais do que bater a meta, ele significa levar a ideia até mais pessoas. Hoje, eu não digo que o projeto é meu, mas sim, nosso. E é muito bom estar a frente de uma ideia apoiada por tantas pessoas que continuam a me incentivar e me escrever, pedindo para que eu não desista do meu sonho, porque agora elas fazem parte dele”, finaliza.

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Redacão Jornal do Sudoeste

Desde seu lançamento, o JS vem revolucionando a imprensa regional. Foi e continua sendo pioneiro na adoção de cores em todas as suas páginas e no lançamento de suplementos especiais que extrapolam o simples apelo comercial, envolvendo a comunidade em reflexões sobre temas de interesse geral por ocasião do Natal e dos aniversários de emancipação de municípios da sua área de abrangência de circulação.

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