Quem é o funcionário por trás da votação de um reality?

Quando um programa de TV está no ar, não paramos para pensar como funcionam os bastidores. Ao vivo então, a adrenalina é ainda mais intensa. Agora imagine comandar um programa que dura 24h? Os Reality Shows são febre em todo mundo, e no Brasil é onde eles dão ainda mais audiência. O queridinho Big Brother Brasil, o BBB, sucesso desde 2001 e que registrou recordes de audiência nas duas últimas edições, entrou até para o Guinness World Record, com a maior quantidade de votos do público recebidos por um programa de televisão. Mas quem consegue calcular e computar esses milhões de votos por minuto? A mágica acontece graças a profissionais de tecnologia, que são os grandes responsáveis pela principal engrenagem de um reality: computação e resultados da votação do público.

Mas quais profissionais de tecnologia são responsáveis por fazer tudo isso acontecer tão rápido e com tanta eficiência? São as pessoas que cuidam da arquitetura e infraestrutura de softwares utilizados para interação do público com o programa de TV, usualmente chamados de Devops, ou na linguagem mais técnica SRE (Site Reliability Engineering).

Listada como uma das profissões do futuro – sendo um profissional difícil de encontrar hoje no mercado, um SRE ou arquiteto de software pode ganhar um salário de R﹩25 mil. Imaginem um sistema, que recebe milhares de visitas por segundo: ele possivelmente vai travar, vai ficar instável ou fora do ar. Quando o centro de dados de um Reality Show recebe um fluxo de votações que chega a ser maior do que a própria população do seu país, isso não pode acontecer. Ora, como pode o BBB ou Power Couple (programa de disputa de casais que está no ar na TV Record) receber 1,5 bilhão de votos, sendo que o Brasil tem 212 milhões de habitantes, segundo o Censo 2021 do IBGE? Uma parcela da população acessando ao mesmo tempo consegue esse feito. Esse profissional precisa garantir que esse site ou sistema suporte a entrada dessas informações em tempo real sem que as outras funcionalidades do sistema e/ou site sejam afetadas.

Vou contar como esse profissional atua: ele (a) é contratado para garantir que a infraestrutura de um sistema aguente a carga e o stress que precisar com um fluxo de dados e informações gigante sem sair do ar. Essa infraestrutura deve ser escalável rapidamente e não cair de forma alguma com os picos de acesso. É muito importante sair da zona de conforto para isso e todo mundo espera isso de um SRE. Os horários, geralmente, são flexíveis e, no caso das votações de um reality, esse profissional precisa estar antenado ao funcionamento do sistema principalmente nos horários de maior tráfego e ser capaz de suportar o fluxo de votações. Além desse profissional temos a figura do developer back-end e do arquiteto de software, são eles que estruturam um projeto desenhando toda a cadeia sistêmica que fará a contagem, porcentagem e apuração em tempo real. Isso tudo precisa acontecer sem a invasão ao programa de dados. Segurança é um dos pilares que é a função muito importante do SecDevOps, a pessoa responsável por isso.

Só para ficar um pouco mais claro, temos várias funções dentro do time de tecnologia. O front-end é um desenvolvedor focado em interfaces e interações diretas com os usuários daquele sistema. Já o back-end fica focado em criar e manter as regras de negócio, banco de dados e APIs (Application Programing Interface). O SRE é focado em criar e manter processos de infraestrutura, o SecDevOps pela segurança e monitoramento. Para desenvolver e acompanhar um sistema de votação para um Reality Show, os quatro profissionais trabalham de forma integrada. Quando um desenvolvedor tem as skills (habilidades) de Front + Back + DevOps + SecDevOps, é chamado de fullcycle developer. Quando você vota, esse profissional que proporciona essa operação, para que o programa elimine ou entregue o prêmio a um vencedor escolhido pelo público. Sem ele, que aqui na Gama Academy a gente chama de Hacker, voltaríamos ao modelo de votação por telefone.

O mercado de trabalho para esses profissionais está com vagas sobrando, assim como para inúmeras áreas do digital. Falta mão de obra capacitada. Escolas como a Gama Academy formam esses profissionais com todas as características que o mercado precisa e de maneira muito mais rápida do que uma universidade, por exemplo. De acordo com o Tech Jobs Report 2020, 66,3% das empresas entrevistadas tinham entre 1 e 6 vagas abertas para desenvolvedores, 3,6% entre 6 e 10 vagas e 14,5% mais de 10 vagas para serem preenchidas. Apenas 18,2% não tinham vagas abertas. A mesma pesquisa apontou que 66% das empresas não conseguem preencher essas vagas porque não encontram qualificação técnica nos seus candidatos. A Fazenda está batendo na porta, o BBB já está recrutando novos participantes e os especialistas em Back, Front, SRE e SecDevOps serão fundamentais para o público eliminar e dar a vitória.
Natália Garcia

Natália Garcia

COO da Gama Academy
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