Quem fala demais termina na idiotice eleitoral

Como não tenho nada contra todos aqueles que optam por opções sexuais diferentes da minha, principalmente quando estes procuram lutar de todas as formas por direitos que muitas das vezes não lhes são garantidos, principalmente em relação ao respeito à diversidade e a honra como pessoa humana, fiquei extremamente estarrecido com a entrevista do vereador de Feira de Santana, Edvaldo Lima (PP), concedida no Jornal online Tribuna Feirense.
Ele trata do assunto nas entrelinhas, como se fosse uma doença espiritual e uma anormalidade. A opção de ser homossexual, segundo a própria Constituição que ele utiliza como argumento, é escolha de cada um. Se o indivíduo livre fizer uma escolha dessa natureza, acredito que não deve ser nem eu, nem ele e nem qualquer outro indivíduo em nossa condição de heterossexual, que devemos ser os justiceiros para dizer que o sujeito está errado por natureza.
Conversando com algumas pessoas, que são heterossexuais como ele, e compreendem um pouco do mundo político, chegam todos a uma séria conclusão. Como do ponto de vista político ele não está numa condição muito confortável, pois os votos que ele teve em 2012 provavelmente não cairão nas urnas em mesma quantidade, dada as condições colocadas pelo novo cenário que o mesmo enfrenta, inclusive como divisões em suas próprias bases eleitorais religiosas, ele parece que bem assessorado resolveu que seguir a mesma estratégia radical de Jair Bolsonaro.
Se for bem feita a sua estratégia, realmente ele pode construir uma base eleitoral de fundamentalistas que podem lhes colocar na condição de continuar em janeiro próximo seu mandato de vereador, e crescer com esse discurso como representante desse público, que em Feira de Santana existe.
O problema dele é realmente ver quem mais vai acreditar nele para participar duma chapa proporcional, quando o mesmo passou todo o seu mandato mudando de lado, como se fosse um líder de um grande grupo político que escolhe com quem fica e se mantém politicamente.
 
Foi eleito em 2012 numa chapa composta por PT/PP/PCdoB, e tempos depois disse em uma audiência que discutia a terceirização do Clériston Andrade, que não conhecia o sujeito que ele provavelmente votara para prefeito em 2012. Caindo nos braços pois do atual prefeito do município não demorou muito tempo, e mudou de lado de novo, transformando-se num verdadeiro oficial dos interesses do povo de Rui Costa e Zé Neto, contra o grupo de prefeito.
Segundo vozes das ruas em todos os locais que terão urnas que ele teve votos, vão abarrotar de candidatos a vereadores para disputar seus votos, principalmente no Tomba e na sua própria instituição religiosa.
Como heterossexual, que respeito os homossexuais, como respeito os negros, como respeitos as opiniões religiosas diversas, e como respeito à opinião dele mesmo, porque ele também é livre segundo o artigo quinto da Constituição Federal, vou esperar prá ver quantos cidadãos ele levará para suas urnas imitando Bolsonaro. 
Interessante que ele está utilizando a mesma estratégia de um sujeito que está se colocando como candidato à Presidência da República, que nas entrelinhas de seu discurso, defende coisas que defendia Josef Mengele. E o líder do Governo recentemente foi execrado na mídia local por ter falado em saudades do médico nazista para se referir ao vereador em foco.  Vida que segue!
Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
Categorias