Rede privada oferece mais de 96% das vagas em cursos superiores no Brasil, indica Censo

Segundo dados do Inep, 73,8% dos mais de 22 milhões de vagas são de cursos à distância

Por: Álvaro Couto/Brasil 61

A rede privada de ensino foi responsável por 96,4% de todas as vagas em nível superior no país em 2021. Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), publicados nessa sexta-feira (04), dos 22,7 milhões de vagas em graduações pelo país, 21,8 milhões estão em instituições de ensino particulares. As universidades públicas, por outro lado, oferecem 827 mil vagas, mais da metade em instituições federais: 491 mil vagas.

O levantamento ainda aponta que, desse total, 16,7 milhões de vagas são de cursos à distância. Ou seja, a educação à distância (EaD) representa 73,8% de todas as matrículas em cursos de gradução no país, sendo que apenas 114 mil são de instituições públicas, o que significa 0,7% do total.

O censo mostra que as vagas em cursos de graduação EaD tiveram aumento de 23,8% em relação a 2020, enquanto as vagas oferecidas presencialmente caíram 2,8% no mesmo período. Quando comparado com os dados da série histórica, iniciada em 2011, o número de ingressantes em cursos superiores de graduação, na modalidade EaD, aumentou 474%.

O presidente do Inep, Carlos Eduardo Moreno Sampaio, ressaltou o crescimento contínuo na modalidade EaD nos últimos anos. “É uma tendência inexorável, que se consolidou como modalidade de ensino que está prevalecendo na expansão da educação superior no Brasil”, afirmou. Tendência esta que se reflete na abertura de cursos de graduação à distância: de 2019 para 2021, foram 3.091 cursos inaugurados, segundo o Inep, o que representa crescimento de 68,2% em 2 anos.

Apesar do número de vagas, estudantes efetivamente matriculados em cursos de nível superior são 8.986.554. Deles, 6,9 milhões estão na rede privada, 76,8% do total e, pela primeira vez na série histórica, a maioria está na modalidade à distância: 3,5 milhões de alunos (51%).

No entanto, a qualidade desses cursos é uma preocupação para o secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior do Ministério da Educação (MEC), Vandir Cassiano. “Nós temos instituições que anunciam cursos de EaD a um valor de R$ 59,90. Uma mensalidade muito baixa e até que ponto esse curso oferece uma formação adequada para o mercado de trabalho e que venha a fazer parte do contexto social e econômico do país. A secretaria está com um trabalho de verificação desses polos de EaD”, afirmou o gestor.

Censo da Educação

O Censo da Educação Superior é realizado anualmente pelo Inep desde 2001. Ele é o instrumento de pesquisa mais completo do Brasil sobre as instituições de educação superior, e oferece informações detalhadas sobre a situação e as tendências da educação superior brasileira, assim como guia as políticas públicas do setor.

O secretário da Educação Básica, Mário Luiz Rabelo, ressaltou a relevância do estudo. “Isso é tão importante para lançar luz sobre as políticas em andamento e para novas políticas a serem criadas a partir daquilo que se revela quando se faz esse acompanhamento anual que o Inep faz. [Isso permite saber] o que está acontecendo, que movimentos estão acontecendo ao longo dos anos com a Educação Superior em vários níveis”, afirmou o secretário.

O estudo utiliza as informações do cadastro do Sistema e-MEC, em que são mantidos os registros de todas as instituições, seus cursos e locais de oferta. A partir desses registros, o censo coleta informações sobre infraestrutura das instituições de educação superior, vagas oferecidas, candidatos, matrículas, ingressantes, concluintes e docentes, nas diferentes formas de organização acadêmica e categoria administrativa.

Foto de capa: Divulgação/MCTIC

Jornal do Sudoeste

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