Renegociação de dívidas de clubes

A presidente Dilma Rousseff assinou medida provisória que prevê a renegociação de dívidas de clubes de futebol. Causa perplexidade, pois os trabalhadores brasileiros endividados não conseguem do governo igualdade de tratamento para também pagar as suas dívidas de forma escalonada. Ademais, os trabalhadores brasileiros com carteira assinada não podem sonegar ou deixar de pagar as suas contribuições porque são descontados em suas folhas de pagamento.
 
Com efeito, este país é de quem pode mais. Mas não deveria ser assim. Os cartolas do futebol, representados por muitos parlamentares, não se preocupam com a moralidade financeira de seus clubes. Fazem contratações em cifras exorbitantes e pagam salários da mesma forma a jogadores e técnicos. São contumazes sonegadores de impostos e devedores de suas obrigações fiscais. Como são inadimplentes deveriam ser penalizados, inclusive financeiramente.
 
Pelo que consta a maioria dos clubes do futebol brasileiro está falida ou com divida financeira enorme. Mesmo assim os clubes continuam gastando. Por exemplo, é uma vergonha a recente contratação do jogador Anderson pelo Internacional de Porto Alegre: R$ 500 mil de salários mensais e mais luvas de R$ 4 milhões. 
 
No Corinthians e São Paulo, os salários são superiores a R$500 mil. Isso é um absurdo para os padrões brasileiros. E o Congresso Nacional não se manifesta para moralizar esse disparate, porque, como sói acontecer, os cartolas estão sempre batendo na porta do governo para fazer acerto de suas irresponsáveis dívidas.
 
O Congresso Nacional deveria aproveitar a medida provisória do governo para fixar um teto salarial para jogador e técnico, que não ultrapassasse, por exemplo, a R$ 50 mil ou um pouco mais. Está na hora de se limitar essa exorbitância salarial no futebol brasileiro. 
 
Muitos tacharão a minha proposta de tola ou em desarmonia com a realidade salarial do mundo do futebol profissional. Mas estamos em um país de poder aquisitivo modesto, onde os clubes geralmente vivem endividados. Ademais, temos uma falsa vitrine de futebol de altos salários que ilude grande parcela de meninos indigentes, que deixam de estudar para alimentar o sonho de ser jogador profissional e ganhar muito dinheiro. 
 
Ora, um cidadão letrado, com curso superior e várias especializações, dificilmente no Brasil tem a possibilidade de ganhar profissionalmente R$ 50 mil mensais. Logo, um salário dessa ordem não é pouca coisa.
 
O jogador ou técnico que não quiser se submeter ao teto salarial brasileiro, então, que vá procurar trabalho no exterior, lembrando que o mercado externo (milionário) de futebol é para poucos e não para cabeças de bagres. 
 
Cabe aqui enfatizar que o jogador brasileiro no exterior, em final de carreira ou no banco de reserva, está descobrindo a oportunidade de voltar para o país para jogar até se aposentar, recebendo alto salário como se estivesse no exterior. Esse quadro tem que mudar visto que os nossos clubes não têm saúde financeira para bancar altos salários.
 
Pergunta que se impõe. O teto salarial de R$ 50 mil ou um pouco mais para jogadores e técnicos teria como consequência a queda do nível do futebol nacional e esvaziaria os estádios? Não! Vejam o exemplo do Ituano. Foi campeão paulista de 2014, vencendo todos os grandes clubes de São Paulo, e a sua folha de pagamento total era inferior ao salário de um jogador do Corinthians, São Paulo, Santos, Palmeira e de outros clubes da elite nacional.
 

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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