Retatrutida pode substituir a cirurgia bariátrica? Especialista avalia limites e possibilidades da nova geração de medicamentos para obesidade

Publicado em

WhatsApp
Facebook
Copiar Link
URL copiada com sucesso!

Especialista explica em quais situações a cirurgia bariátrica continua sendo indicada e alerta que a retatrutida ainda depende de aprovação regulatória para chegar ao mercado

POR YASMIN MORAES – ASCOM/AGÊNCIA COMUNICALE (yasmin@comunicale.com.br)

Os resultados divulgados recentemente pela farmacêutica Eli Lilly sobre a retatrutida, medicamento experimental para tratamento da obesidade, reacenderam uma discussão que ganha cada vez mais espaço entre médicos e pacientes: afinal, os novos medicamentos para emagrecimento poderão substituir a cirurgia bariátrica?

O questionamento surgiu após a divulgação dos dados do estudo de fase 3 TRIUMPH-1, que apontou perda média de até 28,3% do peso corporal após 80 semanas de tratamento. Entre os participantes que receberam a dose mais alta, quase metade perdeu mais de 30% do peso inicial, índices que se aproximam dos resultados observados em muitos pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

Para o médico Dr. Joaquim Menezes, especialista em emagrecimento definitivo e longevidade, a comparação é inevitável, mas a resposta exige cautela. “Os números realmente impressionam e mostram o quanto a medicina da obesidade evoluiu nos últimos anos. Porém, afirmar que os medicamentos vão substituir completamente a cirurgia bariátrica ainda é precipitado. São ferramentas diferentes, com indicações distintas e que podem atender perfis específicos de pacientes”, afirma.

Segundo o especialista, a cirurgia continua sendo uma alternativa importante principalmente para pacientes com obesidade grave, longa história de ganho de peso, falhas repetidas em tratamentos anteriores ou presença de doenças associadas que exigem intervenções mais agressivas.

“A bariátrica não promove apenas redução de peso. Ela provoca alterações hormonais e metabólicas profundas, que podem ser determinantes em alguns casos. O que estamos vendo agora é uma ampliação das possibilidades terapêuticas, permitindo que muitos pacientes alcancem resultados relevantes sem necessariamente precisar passar por um procedimento cirúrgico”, explica.

Dr. Joaquim destaca que a tendência atual da medicina é abandonar abordagens padronizadas e investir em tratamentos cada vez mais individualizados.

“Existem pacientes que talvez, há cinco anos, fossem encaminhados diretamente para cirurgia e que hoje podem alcançar excelentes resultados com tratamento clínico bem conduzido. Por outro lado, também existem pessoas para quem a cirurgia continuará sendo a melhor alternativa. A decisão precisa ser baseada em avaliação médica completa e não apenas no percentual de peso perdido”, ressalta.

Além da redução de peso, os participantes do estudo da Lilly também apresentaram melhora em indicadores cardiometabólicos, como pressão arterial, circunferência abdominal e marcadores inflamatórios relacionados ao risco cardiovascular. Esses benefícios reforçam a importância de enxergar a obesidade como uma doença crônica que exige abordagem ampla e acompanhamento contínuo.

Foto: Divulgação

Deixe um comentário

Jornal Digital
Jornal Digital Jornal Digital – EdiÇÃo 761