ROUBO IN RIO

Finalmente o povo vai às ruas! “Todos Juntos Contra a Corrupção” é o nome do movimento que foi lançado por internautas e que tomará a Cinelândia, palco de históricas manifestações no Rio de Janeiro, no dia 20 de setembro de 2011, a partir das 18 horas.

Assim como acontece nos países do Oriente Médio e da Europa, a organização do evento teve início nas redes sociais e deve levar milhares de pessoas ao protesto que tem como objetivo precípuo dizer um sonoro “Basta!” a praga que se tornou a roubalheira na esfera política brasileira.

“Todos Juntos Contra a Corrupção” foi idealizado pelos internautas Cristine Maza, Chester Martins e José Luiz Fonseca, que fazem questão de avisar: “trata-se de um movimento apartidário”.

A única motivação é mobilizar a sociedade, em protesto, contra o descalabro corrupto em que se transformaram as administrações públicas no Brasil.

Por duas décadas, desde os “Caras Pintadas” nos tempos do impeachment do ex-presidente Fernando Collor, não se via uma cruzada popular, com essa provável magnitude, ganhar as ruas contra a politicagem canalhesca que impera no país.

A verdade é que os fatos dizem por si. Em menos de três meses, a presidenta Dilma Rousseff foi obrigada a defenestrar quatro ministros de Estado (ou aceitar uma espécie de “suicídio” de alguns) e de exonerar dezenas de funcionários do alto escalão do governo federal sob acusação de corrupção.

A última leva foi parar no xilindró da Polícia Federal exibindo nos pulsos o adorno de tão questionadas (e pertinentes) algemas.

Todos os dias, a imprensa, cumprindo uma de suas funções mais importantes no ambiente democrático, estampa graves denúncias contra o lamaçal que domina Brasília, fruto final das décadas de uma política fisiológica e pseudopoderista.

A nauseabunda atuação da classe política e a percepção clara do apogeu da impunidade parecem ter chegado a um limite insustentável. Não há a menor possibilidade do Brasil continuar como está.

A política se tornou um vergonhoso conglomerado de bandidos do colarinho branco e, muito pior que coisa de ninguém, a República passou a ser uma bocada para alguns poucos apaniguados.

Lula sustentou-se em meio aos escândalos utilizando suas costumeiras bravatas. Mas Dilma não parece muito afeita à essa valsa de malandros. Socou a mesa. Endureceu. Fechou o tempo com a politicada. Por inacreditável que possa parecer, até o senador e ex-presidente Collor vem cochichando ao pé do ouvido de seus pares no Congresso Nacional: “Já vi esse filme e ele não é bom”. Será essa uma revisão ou uma antevisão?

A situação da primeira presidenta de nossa história não é nada fácil. Se encarna o bordão da “faxina”, que já conquistou a plateia, deixará claro que recebeu de herança uma maldita sujeirada, jogando a bomba diretamente no colo de seus antecessores, em especial do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu padrinho político e conhecido pela camaradagem com a bandalheira da “companheirada”.

Isso sem falar que será obrigada a comprar brigas homéricas com seu próprio partido, o PT, e com as legendas sanguessugas da base aliada, colocando em risco seu governo.

Se recusar a necessária “faxina”, Dilma pode até acalmar as siglas de sua governabilidade, mas cairá em desgraça junto ao eleitorado, que em quase uníssono começa a cobrar uma limpeza urgente na administração.

Em suma, ela vive a velha máxima: se correr o bicho e se ficar o bicho come! Nos dois casos, a presidenta pode acabar “faxinada”.

É bem provável que os corredores palacianos já estejam tremendo. Como estamos vendo nos quatro cantos do planeta, os levantes populares organizados através das redes sociais estão provocando uma verdadeira reengenharia no cenário político internacional.

Apesar do sentimento hibernal difuso que acometeu nossa população nos últimos 20 anos no que tange à condescendência com a malfeitoria, o clima, por aqui, parece estar mudando.

Adequadamente agendada para às vésperas do início da estação das flores e da quarta edição do megaevento internacional “Rock in Rio”, a primavera brasileira contra a corrupção bem pode ser alcunhada de “Roubo in Rio”.

Porque o Brasil precisa acordar!

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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