Saúde, conhecimento e valores

Em 2019 fiz um tratamento de canal. Depois de 3 meses o dente estava quebrado, voltei ao consultório do dentista que me confirmou que eu tinha perdido o dente. Posteriormente me informaram que depois do canal era pra ter sido colocado uma coroa, mas como o dentista nem sequer mencionou essa possibilidade, achei que tivesse feito o procedimento correto pra salvar o dente. Então, me questionei: Será que foi mesmo conhecimento o que faltou para evitar a perda desse dente?

Com o dente quebrado me dirigi à emergência de um centro odontológico e o profissional que me atendeu não quis fazer a extração. Explicou que seria melhor extrair na hora de colocar o pino do implante, que eles não faziam. Mas a raiz do dente estava solta e me machucava, não estava conseguindo me alimentar direito, expliquei a situação, mas mesmo assim o profissional não quis extrair o dente, então, procurei outro, que também prorrogou essa extração.

Em resumo, nesse empurra empurra, com o tempo, o dente se calcificou, parou de doer e já não estava mais mole e sim fixo. Quando encontrei o dentista que tinha me atendido na emergência do dente quebrado e falei pra ele que aquele dente tinha se calcificado, que já não doía mais e estava fixo. Ele me olhou e disse que um dente não se calcifica. Fiquei pensando: O que será que falta a esses profissionais? Conhecimento, honestidade, responsabilidade, compromisso, respeito ou tudo junto?

Passei 5 anos tomando remédio de pressão, até janeiro de 2020. Quando me diagnosticaram como hipertensa, conversei com alguns médicos procurando uma alternativa para fugir dos medicamentos. Costumava perguntar a cardiologistas e clínicos gerais se não existia alternativa para evitar os medicamentos, como dieta, atividade física ou algo parecido, mas todos só me apontaram o caminho dos remédios. Também não faltou quem lembrasse que seria para o resto da vida, pois uma vez hipertensa, sempre hipertensa.

Com o Dr. Adriano Antunes, em janeiro de 2020, comecei a dieta cetogênica, para uma reeducação alimentar, além de perder alguns quilos, queria sair do efeito sanfona, de perder e voltar a ganhar peso. Um trabalho que ele realiza gratuitamente pela internet atendendo e orientando uma infinidade de pessoas.  Com a informação de que essa dieta contribuía para o controle da pressão arterial, resolvi testar. De fato, durante a dieta parei de tomar o remédio da pressão e a mesma não subiu. Então, se isso tivesse ocorrido em 2015, provavelmente eu teria evitado 5 anos de medicação diária. A dieta cetogênica surgiu em 1920, portanto, não é tão recente para que nem os profissionais da Saúde a conheçam. Acredito que o conhecimento também anda em falta, além da Saúde.

No entanto, procurando mais informações sobre a mesma, ouvi o Dr. Souto, presidente da Associação Brasileira Low Carb, em entrevista com Leda Nagle, dizer que a dieta cetogênica é a estratégia mais eficaz para o diabético e que os médicos deveriam pelo menos informar aos seus pacientes da existência dessa estratégia nutricional. E que essa  é também a opinião da Associação Americana do Diabetes, que em 2019 colocou nas suas diretrizes que essa é a estratégia que tem melhores resultados no controle da glicose dos diaBéticos (veja em: https://www.youtube.com/watch?v=uS5Jrtf6dO4). E informa que a diabetes tipo 2 é uma doença que pode ser revertida com a dieta cetogênica. Assim como pude comprovar que casos de hipertensão como o meu também podem ser revertidos, acredito que a partir da alimentação é possível prevenir e até mesmo tratar diversas outras enfermidades.

O artigo “Dietas cetogênicas no tratamento de neoplasias” de 2020, apresenta a dieta como uma proposta de tratamento promissora para pacientes com câncer, baseado nas pesquisas realizadas com camundongos que comprovaram os efeitos antitumorais das dietas cetogênicas, justificados, em partes, pela diminuição da produção de insulina e de fatores angiogênicos e pelas alterações no perfil inflamatório e metabólico. Ao reduzir a glicose disponível por meio das dietas cetogênicas, as células cancerígenas não têm substrato para realizar a glicólise aeróbica necessária para sua multiplicação (Veja em: http://atenas.edu.br/revista/index.php/higeia/article/view/41/34).

Em 2020 o Dr. Adriano Antunes também afirmou que “o que faz a pressão subir é o açúcar e não o sal”, declarou que: “Uma das principais causas de pressão alta é à produção excessiva de insulina e leptina em resposta a uma alimentação rica em carboidratos e alimentos processados. Conforme os níveis de insulina e leptina aumentam, a pressão arterial sobe. Níveis elevados de ácido úrico também estão significativamente associados à hipertensão, portanto, qualquer tratamento para a hipertensão precisa ajudar a normalizar tanto a sensibilidade à insulina quanto o níveis de ácido úrico. E, eliminar o excesso de açúcar/frutose da alimentação pode combater esses problemas de uma só vez. “.

Entendo que o nosso sistema de Saúde precisa contar só com a união de conhecimentos e valores éticos e morais dos profissionais da Saúde, mas deveria também procurar conscientizar mais a população da importância de cuidar melhor da alimentação, orientar para estratégias alimentares mais saudáveis como medidas preventivas para a saúde e melhor qualidade de vida do nosso povo.

Rosita Capelo Fonteles

Rosita Capelo Fonteles

Doutoranda em Psicopedagogia na UAH (Universidad de Alcalá de Henares), Espanha e pesquisadora de proposta educativa voltada para o desenvolvimento humano;  autora do programa Cinquenta Minutos de Valores Humanos para o Ensino Superior (disponível gratuitamente em:http://www.cincominutos.org/cinquenta.minutos.htm); membro da equipe pedagógica do Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola; especialista em Educação Biocêntrica pela UECE (Universidade Estadual do Ceará); especialista em informática pela UFC (Universidade Federal do Ceará); licenciada em letras pela UECE, Brasil.
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