Sete de Setembro de 2020

Dia de chuva, este 7 de setembro. E frio, também. Dia para ficar em casa, independente da pandemia, assistir um bom filme, ler um bom livro, ouvir música, fazer um pão de queijo com café bem quente. Para comemorar o 7 de setembro, quem sabe? Porque não há nada para comemorar, infelizmente. Os corruptos de plantão saqueiam a Pátria amada, desgraçadamente, e uma Pátria amada sem saúde, sem educação, sem segurança, sem justiça, não é Pátria. Que pena.

As comemorações foram diferentes, este ano, devido à pandemia do coronavírus: não houve desfiles, não houve solenidades, apenas uma: com o cancelamento do desfile cívico-militar de 7 de Setembro em razão da crescente escalada da covid 19, o presidente participou, na manhã desta segunda-feira, de solenidade no gramado do Palácio da Alvorada para comemorar o 198º aniversário da independência do Brasil. O evento teve execução dos hinos Nacional e da Independência, hasteamento da bandeira e apresentação da Esquadrilha da Fumaça. Sem máscara, o presidente chegou ao evento no Rolls Royce presidencial, acompanhado de várias crianças, parte delas também sem máscaras. Ele cumprimentou participantes antes de se juntar às autoridades que ouviram a execução dos hinos Nacional, da Independência e a exibição dos aviões da Esquadrilha da Fumaça. Depois do evento, voltou a se aproximar da grade e fez selfies com o público presente, provocando ajuntamento de pessoas. Bem no estilo, desrespeitando todas as recomendações sanitárias. Não dá pra falar de independência com atitudes como esta.

Precisamos de mais responsabilidade, bom senso, honestidade, mais reflexão, mais coração e muito menos violência, corrupção e falta de respeito. Ainda somos seres humanos. Precisamos parar de agir como animais irracionais e pensar no futuro, ou não haverá futuro. Que independência, que liberdade é essa que não dá perspectiva nenhuma de amanhã? Há que se pensar no depois, no mais adiante. Como festejar a nossa independência, se ela se esvai no descaso de nossos governantes, na falência da saúde, da educação, da justiça e da segurança? Como comemorar uma coisa que não temos, que foi solapada por políticos imorais e corruptos, que ao invés de defender os direitos do cidadão, que é o seu trabalho, ao contrário, roubam descaradamente os impostos tantos que ele, o cidadão, paga com tanto sacrifício, a maior quantidade de impostos do mundo? Como podemos nos considerar independentes se estamos a mercê políticos corruptos que têm a conivência da justiça?

Outra do presidanta, pra variar, foi a afirmação de que “ninguém é obrigado a tomar a vacina”, referindo-se às vacinas contra a covid 19 que estão sendo desenvolvidas. Quer dizer: num momento em que a nossa única salvação é o surgimento de uma vacina, a maior autoridade do país desobriga a sua aplicação. Cada vez mais cada vez.

Esperemos que a curva da pendemia comece a confirmar uma tendência para baixo. Apesar de termos visto, nos últimos finais de semana, o povo na rua, nas praias, nas festas, aglomerado, amontoado, não respeitando o distanciamento social, não usando máscara, seguindo o exemplo do presidanta.

Se não nos cuidarmos, a curva da pandemia nunca apontará para baixo. Precisamos nos cuidar. Muito.

Luiz Carlos Amorim

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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