SOFISMANDO O INSOFISMÁVEL

O que se esconde por trás das aparências? O domínio do alfa e o ômega, de “a” a “z”, para expressão do pensamento, é instrumento peculiar daquele que adquire conhecimento. E esse instrumento cortante e afiado que é o domínio ou dom da palavra, é privilégio de poucos. Essa pura arte do domínio do alfabeto por aquele que a domina, possui relevo incontestável da capacidade que alguém tem de expressar-se convincentemente acerca do que pensa ou crê, independentemente de onde esteja balizada sua convicção, se no erro ou acerto, se na verdade ou na mentira. Por expressão da convicção daquele que domina tal arte, vale dizer que, debulhando o alfabeto de “A” a “Z” ou de “Z” a “A,  pode-se vender o erro como acerto e apropriar-se da mentira em detrimento da verdade. Dogmática é a arte de sofismar! Mestres nesta arte são poucos. Como exemplo cito o Sr. Fernando Henrique Cardoso, cujo domínio da arte de sofismar no meio político é inerente da sua personalidade e propriedade exclusiva do seu conhecimento e desenvolvimento acadêmico, ou seja, alguém que domina com maestria o dom da palavra como ele, vez ou outra, brinca com as palavras, passeando pela omissão, dirigindo e induzindo o erro, vendendo a mentira e expropriando a verdade. Sua competência na arte de sofismar o torna um mestre nessa arte. No meio religioso apócrifos, essa é uma ferramenta inseparável dos chamados teólogos. No meio jurídico porém, essa arte de sofismar  é artefato usado implacavelmente por aqueles que  mediocremente usam o dom da palavra, para sorrateiramente no submundo das intenções, abalroar a verdade. Agora quando vejo uma Presidente de Tribunal de Justiça usar desse expediente indo à imprensa para afirmar que na Justiça baiana não há qualquer servidor recebendo altos salários “ilegalmente”, creio eu, estar ela,  SOFISMANDO O INSOFISMÁVEL? Ou não? Ou creio estar eu, atingido por essa dúvida cruel?! É ilegal ou não, receber salários acima do teto constitucional? Quando afirma: “ter sido flexível na elaboração do texto, pois se tivesse seguido as sugestões do CNJ os prejuízos para os servidores seriam maiores.”  Essa insofismável flexibilidade quase me convence! Ou vale a pergunta: “O que está por trás das aparências”? Percebe-se outrossim, que essas distorções salariais não é privilégio somente da Bahia. Após divulgação dos gastos com pessoal pelo Portal da Transparência, diga-se de passagem sob o ferrão implacável do CNJ, veio a tona, pipocando aqui e acolá, inclusive nessas bandas do querido Sergipe, a falta de zelo com a coisa pública, por aqueles que, vestindo o manto sagrado da justiça, injustamente desempenham suas funções. Alí, na casa de Ruy Barbosa em Salvador onde descansa seus restos mortais, diante de tanta perplexidade o grande Ruy Barbosa deve estar se contorcendo de vergonha e vale a pena meditar nos seus versos nesses idos de 2010: “não há tribunais que bastem, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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