UM GIGANTE DESOLADO COM CARA DE PIXULECO

Bem sabemos que a política interna brasileira nesse ano de 2015 é a pior e mais preocupante desde a era da nossa moderna democracia.

Alguns setores da política brasileira, a exemplo de Eduardo Cunha, presidente do Congresso Nacional e sua corja de fiéis seguidores, assim como a oposição, fazem parte desse “poleiro de pau sujo”, onde o achacamento é a base mais eficiente para derrubarem uma “meta inexistente” ou para impedirem que uma “mandioca”, cultivada com tanta pretensão, por um líder que soube encontrar o caminho do céu e do inferno, na mesma trajetória, chegue ao poder… 

Nunca antes na história desse país se viu tanta inconveniência política, onde os “mensalões” e os “lava-jatos” se deram como enredo nacional.

Criaram-se heróis nacionais como “capitães subsidiados” que logo se rebelaram pela ética de suas posições e uma nova página foi escrita.

Acabaram-se os grampos. E as delações premiadas eram agora oferecidas como recompensa para se chegar ao rei desse tabuleiro.

Não se sabe ainda o final dessa história. Porém, uma coisa é certa. Esse país está diferente. Aquele Gigante anestesiado pelo sistema já não existe mais. Ele agora é um “bonecão” enfurecido que vai a rua protestar, que já não se intimida pela facticidade de uma escolha inconsequente de uma determinada parcela da sociedade e busca de bandeja, sem nenhuma excitação, a cabeça de quem já não lhe convém mais como o seu representante.

A regra desse jogo é mais perigosa do que se imagina. Primeiro porque ameaça a consolidação de uma democracia conquistada com muita dificuldade, e segundo é que abre caminho para que os mesmos parasitas disfarçados de “salvadores da pátria” possam agora conquistar o poder que eles tanto almejavam ter.

E nesta disputa pessoal e quase suicida, o Brasil é quem sofre na guilhotina. A busca do poder a qualquer preço, as ambições desmedidas da oposição, a falta de governabilidade de uma Presidente sem carisma, o Impeachment com cara de golpismo, a história se repetindo cada vez mais irônica, o mesmo grupo político comendo pelas beiradas, a cúpula de um partido político na prisão, um Presidente da Câmara bandido, psicopata e sabotador, um presidente do senado envolvido com todos os escândalos de corrupção, um Vice-presidente da República com ares de conspiração. Enfim, esse é o retrato de um país desolado, com uma grave crise econômica, política e ética lhe subindo até o pescoço e com pouca esperança de salvação.

O Gigante não sabe ou não quer pensar? Talvez esteja preocupado com a próxima representação do carnaval que está por vir. Talvez esteja distraído com a BUNDA da mulata da novela das nove… Ou talvez – quem sabe – ele realmente tenha mudado, crescido, se agigantado ainda mais, e pela jovialidade de sua democracia, ainda não tenha maturidade suficiente para perceber o fogo que se propaga em suas costas…

Se tivesse lido um pouco mais, se tivesse estudado, se não tivesse cortado a fila da merenda, se tivesse devolvido o troco que recebeu errado do motorista, se não tivesse jogado papel de bala no chão, achando que estava contribuindo com o “emprego” do varredor de rua, se não tivesse vendido o seu voto, talvez o gigante não estivesse tão enfurecido com o governo que tem, talvez não estivesse pagando caro para se manter no poder, talvez não estivesse com tantos problemas de saúde, educação, lazer, transporte público, meio ambiente, etc.

Se esse gigante não fosse tão “Pixuleco” não haveria tanto parasita sobre si, sugando-lhe o cérebro, roubando descaradamente suas riquezas e chamando de representante político, um bando de achacadores que tem a mesma cara que a sua, a mesma ambição, os mesmos propósitos, os mesmos costumes… 

Sim, eles têm a nossa cara. São os reflexos de nós mesmos ali, escondidos por trás de um foro parlamentar. Eles são como nós e nós somos exatamente como eles. 

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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