UM NOVO RABISCO

São incontáveis os questionamentos a respeito da vida, um deles está centrado na revolução das novas tecnologias e na maneira como as pessoas se relacionam antes e depois que o homem foi à Lua.

 

Existem transformações inusitadas e maior complexidade nos relacionamentos reais ou virtuais.

 

No Brasil, o início da telefonia móvel ocorreu na década de 90, com a substituição dos obsoletos equipamentos disponíveis. Uma suposta presença “física” era sentida na transferência de voz e poucos textos possíveis. Naquela época era proibitivo o uso da linguagem corporal, apenas agora, discreto e parcialmente, passou a ser possível com vídeo conferência e os softwares de realidade aumentada (hiper-realidade).

 

Exemplo clássico é o telefone celular (smartphone). Além de ser um objeto de status, oferece tantos recursos que nem são utilizados pela maioria dos usuários. Estes objetos de consumo mudaram a forma como as pessoas pensam e vivem a liberdade. Acessam as redes sociais, contas bancárias, proporcionam transações e negócios, fazendo a necessidade e o significado da interação pessoal serem mitigados transitoriamente.

 

A vida cotidiana atual está dominada pelos dispositivos eletrônicos, cada vez mais portáteis, versáteis e capazes de influenciar a psique e existência física.

Uma nova forma de viver foi ‘inventada’.

 

A busca pela liberdade, em meio à globalização, é tangível ou toda a evolução tecnológica poderá causar isolamento social?

 

Liberdade aos auspícios das Leis é o conjunto de direitos inalienáveis reconhecidos pelos grupos, estados ou nações; na subjetividade, trata-se de um conceito amplo e difícil de explicar, se entrelaça com os riscos de depressão ou frustrações quando um indivíduo, nos termos tratados aqui, passa a manter relacionamentos frívolos e virtuais como mote principal da vida. Em certo momento, um indivíduo com esta prática poderá se isolar socialmente e viver tantas mudanças contínuas no comportamento que o levam ao ‘aprisionamento virtual’ (dependência e distanciamento da realidade).

 

Somos espécie autointitulada Homo Sapiens (um ser que sabe), no entanto, a vida nas cidades é uma minúscula centelha de tempo comparado ao nosso período evolutivo (10 mil contra 1.8 milhão de anos) e o conhecimento não consegue ultrapassar a sabedoria.

 

No outro lado a Internet, em certa medida, oferece a possibilidade de reforçar as relações humanas quando as pessoas mantêm a interface pessoal viva e intercalada com os e-mails, chats, blogs ou telefonia.

 

Cabe contradizer a ideia formada no texto até este ponto; pessoas “casadas” com o tablet, computador ou celular também podem formar amizades, participar de vivências saudáveis e interagir com maior frequência junto aos familiares próximos e distantes.

 

Compartilhar informações e dominar o uso das novas tecnologias oferecem vantagens sociais – a pessoa que entende o funcionamento dos equipamentos de alta tecnologia dispõe de chances para se manter socialmente ativa e conectada com a comunidade. Basta não ficar longe dos locais públicos, incluir no cotidiano cafés, restaurantes, praças ou qualquer outro local para aglomeração de pessoas.

 

Estas atividades sociais estão suscetíveis a abrir novos espaço para ideias ou encontros com pessoas de diversos credos, origens ou opiniões.

 

Saúde mental, liberdade e as tecnologias tendem a estar cada vez mais entrelaçadas. Talvez no passado, alguém que sentasse para ler um livro, objeto desconhecido para o medieval comum, fosse encarado como um cidadão esquisito, porque poderia dizer que extraia de rabiscos desenhados em folhas de celulose, as informações dos céus e da terra.

Marcelo Pelucio

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