UM QUASE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA

A cegueira está formatada na maioria das mentes humanas como algo ligado ao corpo biológico e poderia ser descrita como a perda ou redução grave, de um dos sentidos mais importantes: a visão.

 

Não podemos entendê-la como uma imperfeição e muito menos como uma punição. Se mudarmos o foco, é possível entende-la como uma oportunidade de crescimento, resiliência e superação. Você, possivelmente conhece alguém com deficiência visual, mas que é um exemplo de vida.

 

O meu intuitonão é falar sobre a cegueira biológica. É falar sobre a cegueira relacional. Isso mesmo: cegueira relacional. Desconhece esse termo? Normal. Achou estranho ou impossível queocorra? Se isso acontece, já pode ser um forte indício deste tipo de cegueira.

 

Sem recorrer a detalhes ou a preceitos científicos, a cegueira relacional pode ser definida como uma incapacidade de tomar contato com algo que vai além da visão e/ou da compreensão cotidiana, causada por um encantamento, por exemplo.

 

Quantas vezes já ouvimos falar de profissionais que estão desenvolvendo excelentes trabalhos em determinada empresa e então, são convidados para atuarem em outra instituição (muitas vezes, até concorrentes) e rapidamente fazem o seu desligamento e se decepcionam no novo emprego?

 

Esse é um clássico exemplo da tal cegueira, pois, possivelmente os olhos que vislumbravam os benefícios estavam bem abertos, mas, os que deviam ter um olhar mais abrangente e que considerasse também os riscos, estavam impossibilitados de enxergar.

 

Outro caso: soube de uma seleção, na qual, um diretor contratou um gerente de vendas, apenas por sua formação acadêmica.  O candidato se perdia na quantidade de certificados que apresentou. Neste caso o encantamento foram os documentos que cegaram o tal diretor. O resultado foi drástico.

 

E os exemplos não param por ai.

 

Outra situação onde a cegueira relacional está se solidificando cada vez mais, é a que se refere ao contato com o próprio corpo do profissional. Muitas vezes o corpo está clamando por atenção, sinalizando de diversas maneiras, mas, criamos alguns impedimentos para não ver as mensagens que estão sendo enviadas.

 

Neste caso, focamos apenas em um aspecto: o trabalho em si. E esquecemos que, para trabalharmos precisamos estar bem em todos os aspectos: físico, mental, intelectual, espiritual, etc. Logo, precisamos estar de olhos bem abertos para todos eles.

 

O intuito não é desmotivar os profissionais para que evitem outras oportunidades de trabalho ou que os lideres desconsiderem a formação acadêmica dos candidatos, mas que eles reduzam a cegueira relacional tendo uma visão global da situação.

 

Tempo atrás havia um comercial de tv que afirmava: “não que um cegonão possa ser feliz, mas é bem melhor ser feliz vendo tudo”. Então, motive-se. Veja bem, veja mais e seja feliz.

 

(*) Odilon Medeiros – Consultor em gestão de pessoase palestrante, Mestre em Administração, Especialista em Psicologia Organizacional, Pós-graduado em Gestão de Equipes, MBA em Vendas Contato: [email protected] / www.odilonmedeiros.com.br

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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