Vitória da Conquista e as mudanças políticas

 

As urnas são o termômetro da vontade de um povo e apontam a direção do que espera a população.

Essa eleição em Vitória da Conquista quebrou uma hegemonia de 20 anos de um grupo político, aliados a uma linha filosófica partidária de extrema esquerda que pregava a proteção aos pobres e combate à fome e a miséria, criando a expectativa que seus políticos, de fato estavam comprometidos com essa linha de pensamento direcionado a melhoria de vida do pobre e do trabalhador, com a garantia de pleno emprego, de melhoria continua da renda, de uma saúde onde o pobre teria tratamento digno, com a educação acessível a todos os brasileiros, com a esperança de menos violência, mas começaram a aparecer as mazelas e as denúncias de corrupção, agravados pela séria crise econômica que levou o país a um caos jamais visto.

Vitória da Conquista não foi diferente, embora a sua força econômica alicerçada pela agropecuária, comércio e indústria, tenha conseguindo ter impacto de menor intensidade.

Mas, com a mudança da Administração outras fontes de desenvolvimento que foram esquecidas nesses 20 anos de Administração petista, certamente serão resgatadas e por isso a responsabilidade do novo gestor será enorme, exigindo uma equipe formada por técnicos experientes e competentes, onde o critério para escolha exija exclusivamente currículo.

A cadeia produtiva da mandioca, que representa um potencial econômico gerador de trabalho e renda deverá ser repensada e fortalecida.

O aproveitamento da cafeicultura para atrair agroindústrias, pequenas, médias e grandes, para agregar valor à produção será outra forma de estimular o processo produtivo e gerar emprego.

A pecuária de leite, um forte aliado para gerar renda ao pequeno produtor viabilizando o surgimento de uma bacia leiteira, atraindo laticínios.

Organizar a cadeia produtiva florestal inserindo novas cultivares como bambu, nim e a candeia para produção de óleo destinado a exportação, formando maciços florestais.

Resgatar a ovinocaprinocultura, abandonada pelo governo do estado e pelo município.

Os recursos minerais abundantes no município e região é outra fonte de oportunidades.

O clima de Vitoria da Conquista com sua gastronomia um forte atrativo para desenvolver o turismo.

As Universidades formando importante polo educacional e gerador de mão de obra qualificada, deve ser aproveitado, afinal investir em educação e deixar esse potencial intelectual ir embora para gerar renda em outros centros, é burrice.

A saúde de Vitoria da Conquista exige um grande Hospital Universitário, com um Núcleo de Transplantes de Órgãos, em parceria com entidades de referência como o Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP, em São Paulo, que já sinalizou a possibilidade de apoio, no passado.

O Parque Industrial do município ainda tímido, deverá estimular a vinda de novas indústrias e para isso, deve promover os aspectos positivos do município junto às Federações das Indústrias da Bahia e de outros Estados, como o clima, a localização, a sua estrutura viária, o polo educacional.

Administrar um município com uma população superior a 300 mil habitantes exige conhecimento, determinação, equipe e parcerias estratégicas e por isso desejo boa sorte a essa nova equipe.

José Afonso Baltazar da Silveira

Professor da UESB, ex presidente da CERB, produtor rural.

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