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WhatsApp limita reenvio de mensagens para combater notícias falsas

Empresa estende ao resto do mundo a restrição imposta no ano passado na Índia. Medida estava entre sugestões de especialistas enviadas ao TSE durante a eleição de 2018

 

Por Isabel Rubio/El País

 

O reenvio de memes, fotos manipuladas, vídeos e áudios sem contexto é um dos principais quebra-cabeças dos serviços de mensagens instantâneas. O WhatsApp dá agora mais um passo para tentar frear a difusão de boatos e notícias falsas. A partir desta segunda-feira, só permitirá reenviar uma mensagem para cinco chats ao mesmo tempo, conforme confirmou à Reuters a vice-presidenta de política e comunicações da companhia, Victoria Grand. A atualização chegará primeiro aos dispositivos Android e, mais tarde, aos que contam com o sistema operacional iOS.

Fernando Haddad, candidato à Presidência derrotado por Jair Bolsonaro no segundo turno, criticou de maneira sucinta em seu perfil no Twitter o momento para o anúncio da limitação: “Agora?”. A restrição do envio de mensagens estava entre as sugestões de especialistas da área enviadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a eleição, marcada por suspeitas e acusações de má utilização da ferramenta por partidários de Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que acompanha o pai em viagem a Davos, criticou a decisão do WhatsApp: “Sério isso? Então vamos para wickr me, signal, telegram…”, escreveu em seu perfil no Twitter, sugerindo a utilização de outros aplicativos.

O serviço de mensagens instantâneas, que conta com aproximadamente 1,5 bilhão de usuários em todo o mundo, há muito tempo procura maneiras de combater “a informação errônea e os rumores”. Em julho de 2018, o aplicativo começou a avisar os usuários quando as mensagens recebidas tinham sido reenviadas de outro chat.

A empresa já havia limitado o reenvio de mensagens em todo o mundo neste mês. Um usuário do WhatsApp só poderia reenviar determinado texto, áudio ou imagem a até 20 pessoas ou grupos ao mesmo tempo. Na Índia, a restrição foi mais rigorosa: o limite era de cinco grupos.

O WhatsApp tem sido duramente criticado nos últimos meses nesse país asiático por sua incapacidade para frear a difusão de boatos. A companhia limitou o reenvio de mensagens depois de prometer ao Governo local que agiria “rapidamente” contra a difusão de notícias falsas, que nos últimos meses causaram uma série de linchamentos de inocentes no país. “Como o Governo indiano, estamos horrorizados por esses terríveis atos de violência e queremos responder rapidamente aos problemas tão importantes que foram apontados”, disse o WhatsApp em uma carta enviada ao Executivo.

A empresa, propriedade do Facebook, ampliou agora a restrição da Índia aos demais países. “Estamos impondo um limite de cinco mensagens em todo o mundo a partir de hoje”, disse Grand nesta segunda-feira em um evento em Jacarta (Indonésia). Esta medida dificulta a todos os usuários o reenvio maciço de informação não verificada. Mas não garante que vá frear por completo a difusão de notícias falsas, sobretudo levando em conta que os grupos do WhatsApp podem ser formados por até 256 usuários.

Boatos virais

Nas redes sociais e nos serviços de mensagens instantâneas, a luta contra a desinformação perde batalhas diariamente. Por exemplo, um dos boatos que viralizaram no WhatsApp em 2018 consistia em convencer usuários europeus de que alguns morangos procedentes de Marrocos provocavam hepatite. “Uma amiga médica me passou esta informação: ‘Não consumam morangos nem framboesas procedentes de Marrocos. Há um surto de hepatite A. Uma epidemiologista do distrito sanitário nos mandou isso. São morangos congelados de Marrocos, nos quais a Alemanha detectou a hepatite A’”, dizia a mensagem. Tanto o Serviço de Saúde da Comunidade de Madri como a organização de consumidores FACUA desmentiram o boato.

É habitual que notícias falsas sobre frutas contaminadas sejam compartilhadas. O boato das laranjas que causam AIDS e das maçãs com listeria são alguns exemplos. E nos últimos anos outra categoria de notícias falsas que ganhou destaque consistia em fazer o leitor acreditar que atores pornôs haviam recebido prêmios científicos importantes, ou que o Governo da região espanhola de Navarra havia proibido canções de artistas como El Canto del Loco e Amaral por seu conteúdo sexista.

 

Foto de Capa: Pixabay

Jornal do Sudoeste

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