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A dor dos amaldiçoados

Ao fazer qualquer pesquisa simples para ver quais foram os maiores erros políticos cometidos no Brasil, não precisa ir muito longe para se descobrir que foi a retirada à força política de bastidores de Dilma Rousseff do poder. O impeachment sem provas jurídicas, mas políticas, não somente foi um erro desses que nenhuma força política na história havia cometido, mas foi também uma maldição para quem pensou que chegaria ao poder sem voto nas urnas.

Foram simplesmente amaldiçoados todos que se envolveram na aventura de retirar o lulismo do poder. Entre os principais que se tornaram amaldiçoados pelo golpe estão Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, Geraldo Alckmin e Michel Temer.

O ex-presidente FHC, talvez o grande arquiteto secreto de todo esse processo contra o lulismo, tornou-se um personagem kafkiano, que muda de opinião toda semana porque não mais sabe o que fazer para ajudar a consertar o erro político cometido. Tentou emplacar um rebanho de gente que pudesse ser o contraponto ao lulismo e se perdeu em tudo, e continua a grande metamorfose da política que não quer se aposentar.

 Aécio Neves, outro mestre na arquitetura política que deu errado, está numa situação tão desesperadora que dizem as “línguas” mineiras que ele está fazendo campanha para deputado federal em grupos de WhatsApp, porque perdeu o bonde da história, sua vaga no Senado e ainda tem a maldição de ver Dilma Rousseff praticamente eleita ao Senado no seu Estado.

Geraldo Alckmin se consolidou entre os grupos de direita no Brasil como o nome que poderia ser o grande contraponto ao lulismo, mas a maldição do golpe desonesto não saiu de seu corpo nem com água benta da Opus Dei e nem com perfumes franceses. Mesmo com o maior aparato político já montado para um candidato, com tempo de televisão que poderia fazer dele um semideus, e com as forças políticas de direita inteira do pais orbitando em seu entorno, vai ser vergonhosamente derrotado saindo da história sem muitos amigos.

E Michel Temer (com toda sua turma de cheirosos) talvez seja o pior de todos eles, porque deve está sofrendo horrores ao ter certeza de que além de ser o homem político mais impopular da história política mundial de todos os tempos, mesmo ainda na cadeira de presidente, vai deixar Brasília correndo o risco de ficar no ostracismo, não ter capacidade nenhuma para se organizar mais politicamente, até mesmo porque a idade não mais permite, podendo ser preso pelos seus erros políticos e sem foro privilegiado, e ainda correndo o risco de perder dona Marcela, que é o grande medo dele segundo relatos recentes de jornalistas próximos.

 A história é cruel como um túmulo frio para quem erra na política, e todos esses homens amaldiçoados vão ver coisas de tocar o coração: o lulismo de volta ao poder com Haddad na presidência, uma comunista como vice-presidente, e Dilma Rousseff de volta ao cenário de onde não deveria ter saído. Dói mas é assim mesmo!

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo

Genaldo de Melo, 43 anos, sergipano radicado em Feira de Santana - Bahia. Gestor social e articulista. Desenvolve consultoria em elaboração de projetos sociais
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