A esperança é a última que morre

Maria Aparecida do Alívio *

 

Berço de artistas brilhantes, de políticos consagrados, de paisagens belíssimas e de gente acolhedora, Ituaçu volta ao tempo dos Mocós e do Rabudos, época em que a voz da carabina falava mais alto que voz da razão e da Justiça.

Naquele tempo a violência influía de tal modo sobre o espirito das pessoas que o prestigio político era avaliado de conformidade com a valentia de seus líderes, ou pela qualidade e quantidade de seus jagunços. Os partidos políticos eram denominados de acordo com o tipo de carabinas usadas pelos seus sequazes.

Em diversos momentos de nossa história passamos por períodos em que as liberdades individuais de expressão, o pluralismo político ou a manifestação de pensamento estiveram restritas.

Por obviedade todo e qualquer ato praticado por um agente político que vise: perseguir, reprimir, censurar, prejudicar, coibir, constranger etc., alguém que apresente divergência de ideias, é perseguição política.

Perseguição e coronelismo são síndromes de um governo gestado por políticos que relembram os tempos coloniais. É importante frisar o óbvio: no Brasil não adotamos o absolutismo político, visto que o político não é o representante de Deus na terra, mas representante do povo.

É lamentável, num regime Democrático de Direito, no qual o povo escolhe representantes para defender direitos fundamentais, ainda existir governantes que utilizam a chibata para conduzir o destino de seu povo.

Não dá nem para acreditar que em época de pandemia, em que se deveria aflorar os sentimentos mais puros do ser humano, mormente dos nossos representantes, deixa-se de repassar um benefício que pode aliviar a dor e o sofrimento das pessoas, principalmente por falta trabalho e do necessário para sobreviver.

Inúmeras vozes têm clamado no deserto na terra do Brejo Grande, buscando explicações do porquê os recursos da Lei Aldir Blanc não foram repassados aos artistas da terra. Até agora não houve resposta, nem justificativa plausível.  A única coisa que sobrou foi o silêncio martirizante, que denota frieza de espírito e desprezo pelo sofrimento alheio.

Muitas famílias estão passando por inúmeras dificuldades por causa da Pandemia do Coronavírus. Nesse sentido, uma senhora da zona rural, num áudio que circulou nas redes sociais, sintetizou a realidade discrepante vivida em Ituaçu atualmente: “enquanto o prefeito posta fotos na rede sociais de seu café da manhã, almoço e jantar, regados de iguarias e fartura, a maioria padece por não ter um trocado para comprar um pão para sua família”. Ou seja, enquanto uns vivem na prodigalidade o resto que se dane! Quem sabe isso explicaria o silêncio e a indiferença diante dos artistas que esperam desesperadamente pela liberação da ajuda financeira da Lei Aldir Blanc.

Como diz o ditado: “a esperança é a última que morre”. Enquanto existir pessoas como a Deputada Federal Alice Portugal, que sempre bateu de frente contra o autoritarismo e o coronelismo político não Bahia, a Democracia estará a salvo das carabinas e dos jagunços de outrora.

Como dizia nosso saudoso Moraes Moreira: “a dor não tem lugar permanente no coração de ninguém”.

N.A. – A Deputada Federal Alice Portugal (PCdoB/BA) se comprometeu, ao tomar conhecimento da situação dos artistas ituaçuenses e da posição autoritária e ilegal do prefeito de não repassar os valores da Lei Aldir Blanc aos artistas locais, a denunciar na tribuna da Câmara dos Deputados e chamar a atenção da imprensa.

 

* Ituaçuense, anônima que não se conforma com o que estão fazendo da Terra de Moraes Moreira, Gilberto Gil e tantos outros talentos

Jornal do Sudoeste

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