A FULANIZAÇÃO DAS INSTITUIÇÕES

Por que ainda nos preocupamos com as instituições da “nouvelle riche” República do Brasil? “Quem nunca comeu linguiça, quando come se lambuza!”, já dizia a saudosa vovozinha, temerosa do levante de chapeuzinhos vermelhos e da sociopatia discursiva acerca dos perigos do lobo-mau. Noves fora, o resultado é Lula. Instituições pra quê? Lula é tudo! Lula é Deus!

Ora, vejamos… O que é a instituição Presidência da República? Em princípio, deveria ser o majoritário instituto onde o chefe de Estado é o supremo representante público com poderes, funções e deveres Executivos que dão legitimidade ao Estado-Nação. Em tempos de lulo-petismo lá, a Presidência da República nada mais é que uma poderosa cadeira de espaldar alto que deve ser aquecida pela maior anca, a dedo escolhida, até que Deus-Lula possa voltar ao trono. O resto é churrascada, cachaçada e pajelança. E não nos esqueçamos das bravatas e mamatas!

O que é o Legislativo? Em tese, deveria ser o órgão independente do Estado com funções de legislatura, fiscalização e regulamentação. No Brasil, o Poder Legislativo é balcão de negociatas, celeiro de gerúndios pançudos e até brechó de calçolas de algodão usadas. Outrora tribuna de honra das leis, nos dias de hoje não passa de um palanque para boquirrotos, jogadores de futebol, palhaços de circo, mulheres-fruta e canalhas nacionais. Ignomínias, facilmente compradas no feirão da mercearia política por petequeiras mesadas ou rechonchudos mensalões.

E o Judiciário, o que é? Com a prerrogativa de interpretar, julgar e salvaguardar a letra constitucional, o Poder Judiciário, grosso modo, tem a imperiosa missão de garantir o cumprimento de direitos e deveres numa sociedade civilizada. Muito aquém do que seja uma civilização, a justiça brasileira é sinônimo de impunidade. Com um Legislativo que só rouba e um Executivo que só faz carinhos e libera a grana, o Judiciário ficou reduzido à função de porta do cofre. É ele quem determina, no atacado ou no varejo, a distribuição de senhas aos digníssimos apaniguados que podem, para mais ou para menos, meter a mão grande no dinheiro suado que os pobres idiotas são impostos a recolher.

Um tergiverso papel de Quarto Poder foi dado à Imprensa, a quem se resguardou a função de atenta fiscalização à conduta dos demais Três Poderes. Heterodoxa, cresceu liberta, ainda que tenha o capital governista como seu dileto sócio; mergulhou no denuncismo, mesmo que viva a beber no copo dos pinguços; à perfeição, soa a “trombeta marronzista”, mas desfila na avenida em trajes chapa-branca: desde o sapato da malandragem até o colarinho dos graúdos.

Instituições? Que instituições? Democracia-de-Rolo, feito bolo (ainda que a sinonímia seja bastante adequada), o Brasil mais parece um botequim de esquina, onde os quatro fulanos-poderes jogam (no) buraco, ora isolados, ora em parceria. Sob a mesa, uma garrafa de pinga a servir de alucinógeno político e uma porção de linguiça frita, vez ou outra usada para comprar a simpatia dos vira-latas da rua. Fulanização pura e simples. Não por acaso, nesse Brasil varonil, Lula é tudo. Lula é Deus! Deus nos livre e guarde!

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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