A tropa financiada pela elite

Depois do filme Tropa de Elite, o crime organizado ficou mais rico no Brasil. Sucesso nacional da pirataria, o filme que veio denunciar os verdadeiros financiadores do crime organizado acabou destinando a ele, por meio do sucesso estrondoso alcançado pelas cópias piratas comercializadas de norte a sul do país, antes mesmo de sua estréia, alguns milhões de reais. Seria até cômico, se não fosse tão trágico!

Por meio dos impostos, financiamos a pirataria institucionalizada, aquela que nos rouba a dignidade e a cidadania dia-a-dia, em plena luz do meio dia. Financiamos a falsidade ideológica, a organização do crime, a prostituição glamorizada, os piratas de gravata. Por outro lado, nas bancas dos camelôs, financiamos a revolta dos renegados, os crimes dos excluídos, a fúria da cúria dos apátridas, dos despaisados.

O Brasil sempre foi isso aí, o paraíso dos piratas, dos aventureiros, dos desalmados, aqueles que compram seus barcos para navegarem por um país da impunidade, tendo sempre como referência a faixa litorânea, a sombra dos coqueiros a beira-mar. 

Qual dos piratas que nos fazem mais mal? O que assalta a Constituição e as verbas Federais, financiando um país sem educação e sem futuro, patrocinando assim a exclusão social; ou o que nos rouba na esquina, em busca de uns mirrados trocados?

O grande problema é que somos vítimas daqueles que patrocinamos, seja por meio dos impostos, dos votos, seja por meio das bagatelas em busca de um novo filme, de um novo espelho ou mesmo de um brinquedinho diferente, que com suas luzes eletrizantes, fará a alegria e a tristeza de nossos filhos.   

A sociedade brasileira tornou-se isso, uma ilha rodeada por um mar de banditismo, de vergonha e de caos. Estamos todos prostrados, rendidos, vencidos, aquartelados em nossas casas com os nossos medos e nossas desilusões. Nós, como os produtores do filme Tropa de Elite, não merecemos isso. Pena!

Entretanto, como se vivessem em outra realidade, em outro país, eles estão por aí, cometendo todos os tipos de crimes e barbáries, como se protagonizassem um filme, o triste filme de nossa pobre e dura realidade. 

http://petroniosouzagoncalves.blogspot.com

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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