Artista baiano Guigga visita gravações de infância e celebra 20 anos de carreira com novo EP

“Guigga e Banda Me Leva” reúne algumas das primeiras gravações oficiais do artista

 

Em 20 anos de carreira, o artista baiano Guigga, de apenas 30 anos, já transitou em grandes palcos do interior do Brasil à frente da banda Me Leva, circulou em casas de show e teatros com o duo CAIM e ganhou prêmios e festivais como Achiles. Para celebrar, o artista abre os baús guardados em sua terra natal, Maracás, e apresenta as gravações de sua infância no EP “Guigga e Banda Me Leva”.

Guigga começou a cantar profissionalmente aos 10 anos de idade, quando compartilhava os vocais da banda Me Leva com o seu pai Sebastião. Essa parceria rendeu dezenas de gravações, distribuídas em alguns discos da banda. “Como essas gravações acompanharam as mudanças físicas de minha voz, para esta primeira coletânea, optei por escolher as primeiras, que são do período em que minha voz ainda era infantil. Daí convidei Tiago Menezes, produtor musical, meu amigo e parceiro de composição, para remasterizá-las”, explica.

 

Foto: Filipe Rocha

 

A ideia do novoEP surgiu durante a pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), quando Guigga voltou a conviver intensamente com os pais após se entender como um homem gay adulto. “Tirei da gaveta as fitas VHS, álbuns de fotografias da família e arquivos de vídeo e áudio de quando eu era criança. Foi quando me dei conta de que a minha relação com a música é inerente à minha existência”, conta.

Após duas décadas de carreira, o novo trabalho ajuda o artista a apresentar ao seu público tudo o que compõe a sua identidade até então, abrindo sua intimidade de criança preta, gay e artista do interior da Bahia. “Comecei a cantar em carnaval e festas juninas porque sou filho de um cantor popular e alcancei um sucesso regional ao lado dele, no início de minha adolescência. A homofobia acabou me afastando desses espaços e procurei abrigo na cena ‘intelectual cult’”, lembra Guigga.

Nesse período, o artista maracaense conquistou prêmios e reconhecimento regional, mas também relata que aprendeu a se envergonhar de suas raízes na cultura de massas. “Agora, me empoderei dos incômodos que causei, ora por ser uma bicha preta, ora por ser uma bicha cantora de música pop da Bahia, e não estou mais preocupado com o que vão pensar sobre a pessoa e o artista que eu sou. Estou indo ao encontro de quem deseja me ouvir e de quem respeita aquilo que minha história representa”, afirma Guigga.

O EP Guigga e Banda Me Leva (2021) completo está disponível aqui.

(*) COM INFORMAÇÕES DE ANA PAULA MARQUES (VAGALUME PRESS) – ASSESSORIA DE IMPRENSA
Foto de Capa: Filipe Rocha.

Jornal do Sudoeste

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