Biografia: Gilberto Alves Correia

MÉDIUM UMBANDISTA ADMINISTRADOR DO CENTRO SÃO JORGE

*29/02/1937

Gilberto Alves Coreia, natural da cidade de Ubatã, nasceu no dia 28 de fevereiro de 1937. Filho de José Francisco Correia e Maria Izadora de Jesus.

Irmãos: Manoel, Messias, Anézia, Jerome, Nelson, Laurentino, Maria José, Vitória e Luiz Alves Coreia.

Avós paternos: João Alves Correia e Maria Ionídia Correia. Avós maternos: Impote (nome indígena) de Jesus e Maria da Serra.

Passou a infância na cidade de Ubatã, jogava bola, fazia carro de madeira, tomava banho no rio e praticava outras brincadeiras da época com a galera.

Na adolescência trabalhou no DERBA em Ubaitaba, como cozinheiro, trabalhou na Marinha Brasileira nas Docas em Ilhéus, e prestou serviço militar no Exército Brasileiro em Central do Brasil/MG onde fez Juramento à Bandeira.

Começou a ver e sentir fenômenos estranhos. Em sonho recebeu uma mensagem para assumir espiritualmente o culto aos Orixás e mais uma vez, sozinho, tomando banho no rio, a voz de uma entidade comunicou-lhe para dirigir esse trabalho. Sentiu-se chamado para a missão determinada, isso aconteceu em Pouso Alegre na Bahia. Acredita que fora escolhido por já ter o dom espiritual, porém não o desenvolvia.

  Em Belo Horizonte no Horto, bairro da capital, abriu um centro de Umbanda, também em Bandeiras/MG, Ilhéus e Brumado/BA onde militou trabalhando com o centro de Umbanda São Jorge.

Através de um sonho foi indicado pela entidade que o protege, a fixar residência em Brumado, cidade que não a conhecia. Finalmente fixou residência na João Paulo I, onde também, funciona o centro de umbanda São Jorge, sob o seu comando, desde 1965, sendo um dos primeiros umbandistas a se instalar na cidade. Laborou também na Prefeitura Municipal de Brumado, por oito anos, como empreiteiro no Governo do Dr. Juracy Pires Gomes.

A Umbanda é uma religião brasileira, que sintetiza vários elementos das religiões africanas, indígenas e cristãs, porém sem ser definida por eles. Formada no início do século XX no sudeste do Brasil a partir da síntese com movimentos religiosos como o Candomblé, o Catolicismo e o Espiritismo. É considerada uma “religião brasileira por excelência” com um sincretismo que combina o Catolicismo, à tradição dos orixás africanos e os espíritos de origem indígena.

O dia 15 de novembro, já considerado pelos adeptos como a data do surgimento da Umbanda foi oficializado no Brasil em 18 de maio de 2012 pela Lei 12.644.

Em 8 de novembro de 2016, após estudos do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), a Umbanda foi incluída na lista de patrimônios imateriais, por meio de decreto.

 Segundo Gilberto na Umbanda São Jorge, o santo é representado por Ogum. Ele é o Orixá protetor contra as guerras e contra as demandas espirituais. Ogum é também o protetor dos militares, de todos os seguidores da Umbanda e também daqueles que sofrem perseguições materiais ou espirituais.

Casou-se em primeiras núpcias na cidade de Ilhéus com Anésia Barbosa Correia, natural de Itambé, filha de Henrique Barbosa e Joana Barbosa, ambos oriundos das Lavras. Em segundas núpcias na igreja de Janaúba/MG em 1965 com Maria Brito Correia, filha de Pedro Francisco Brito e Ludivina Borges dos Santos, naturais de Janaúba/MG. No civil em Brumado, o matrimônio foi oficiado pela Dra. Juíza Magna Maria Pereira Santos perante testemunhas arroladas.

Filhos do primeiro casamento: Gilson, José André, Ivanice e Zenaide. Do segundo casamento: Giovane, Josenita, Maria Inês e Gilmar.

Filiou-se no PMDB no governo de Edmundo Pereira Santos, candidatou-se ao cargo de vereador, mas não se elegeu. Posteriormente filiou-se no PFL e acompanhou politicamente Juracy Pires Gomes, o qual foi o prefeito eleito da época.

Religião: católico-umbandista.

Músicas: gosta de ouvir Forró e músicas com o tema de umbanda.

Defende a honestidade, o cumprimento dos direitos e deveres do cidadão, honrar pai e mãe e a família. Ser temente a Deus na crença da salvação da alma, paradigmas que estão amparados na doutrina da Umbanda.

 Conselhos dos pais que observa: trabalhar com honestidade, não compactuar com o errado, não beber nem fumar por serem prejudiciais à saúde.

Tem um gato de estimação de nome ‘Malandro’ que cuida com desvelo. O seu maior sonho, segundo o seu entendimento, é ser um vencedor na vida, para tanto não mede esforços, trabalha com esse objetivo.   Não tem medo de nada.  “Espíritos não são assombrações, são mortos mais sábios que os vivos”. (Julyanne Foster).

Sou um homem feliz nunca cometi um ato desleal na vida que tenha arrependimento”. “O meu maior sentimento foi a perda do meu pai. Não convivi com minha, pois tinha três anos de vida quando ela faleceu.  Vivo em harmonia com a minha família, há entre nós o respeito mútuo”.

Aposentou-se, por idade, em 2002 pelo INSS.

 Filiou-se ao quadro da Federação dos Cultos Africanos e Espíritos Umbandistas Independentes de Sergipe em 14 de março de 1984, com validade em todo Território Nacional, conforme Alvará de número 3.058, vinculada à Federação Espírita do Brasil, com autorização para o exercício de suas obrigações, conforme registro e alvará expedido. Cliente do laboratório Barros: Laboratório Químico Farmacêutico Barros, desde 2000, recebe deste orientações, auxiliando-o na prescrição dos medicamentos.

Comentou que no exercício da Umbanda, a entidade sofre a restrição da igreja católica e dos evangélicos que não aceitam o culto aos orixás africanos, embora esteja na Constituição art. 5º item VI: “é inviolável a liberdade de consciência e crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais”. “Daí exigir-se respeito aos praticantes da nossa crença e da nossa fé”. A crença é um sentimento de escolha pessoal e deve haver respeito pelas Entidades que a praticam. Os Guias espirituais são os protetores dos nossos membros que tem convicção da sua proteção. Apesar dessa intolerância religiosa nunca sofremos   constrangimentos.

No terreiro em dias de culto há incorporação, manifestação de diversas entidades evocadas através de danças, cantos, toque de tambores e outros rituais. Informa Gilberto que frequentam o ambiente, pessoas de todas as classes sociais, os filhos e filhas de santo.  Os simpatizantes e consulentes que necessitam de cura, quer do corpo, da alma ou do espírito se fazem presentes.

 No terreiro de Umbanda não há distinção de cor, raça, credo ou posição social, todos são recebidos com cordialidade, com amor fraterno e consideração. “Nos últimos tempos tenho notado a diminuição da frequência popular, resumindo-se aos fiéis contritos às suas entidades para suas obrigações”. “Porém no dia do Caruru realizado em 27 de setembro a casa fica superlotada com pessoas de toda origem social e todos são contemplados”. Disse Gilberto.

A Umbanda brasileira pratica o culto afro-católica-indígena que se reúne para devoção e veneração às entidades africanas (orixás) e sincretismo religioso católico (santos) e os caboclos (indígenas) em combinação com outras entidades de diferentes vertentes, esses conceitos são acatados respeitados por nossos membros.

O Peji contempla várias entidades (orixás), os caboclos e os santos católicos, desde os gêmeos Ibêji (Cosme e Damião), os caboclos e Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, que recebem flores, velas e incensos no seu altar, um sincretismo justificado pela religião umbandista.

 O Centro São Jorge é dirigido por Gilberto Alves Correia, médium espiritual, através de manifestações mediúnicas para o desenvolvimento da missão que lhe foi conferida pelos espíritos e guias para realização desse trabalho.

Em resumo: a Umbanda define-se pela prática religiosa do amor e da caridade (“Não há salvação sem caridade”), com a manifestação ao culto dos Orixás, do sincretismo religioso, e Guias Espirituais da história e tradição brasileira.

Informações fornecidas por Gilberto Alves Correia, médium umbandista ou mentor espiritual a quem agradecemos pela colaboração e disposição em nos atender.

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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