Brasil terá 22% a menos de pessoas na extrema pobreza até final do ano

Presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Erik Figueiredo, apresenta estudo que mostra que extrema pobreza no Brasil terá queda de 22% até final do ano

Por: Secretaria Especial de Comunicação Social

Segundo projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em razão de programas de distribuição de renda, como o Auxílio Brasil, o país terá redução de 22% sobre a quantidade de brasileiros vivendo abaixo da linha da extrema pobreza. Nessa entrevista, o presidente do Ipea, Erik Figueiredo, apresenta os novos dados do instituto e explica como o Brasil conseguiu escapar da tendência mundial pós-Covid de aumento da pobreza.

Foto: Agência Brasil

Qual é o principal trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada e seu objetivo?

Erik Figueiredo – O IPEA tem três funções: primeiro, a realização de estudos, investigar o que de fato o Brasil precisa para sua trajetória de desenvolvimento; o segundo, seria prestar assessoramento ao governo; o terceiro é avaliar se essas políticas têm ou não efeito prometido inicialmente, ou seja, a avaliação de política pública.

O Banco Mundial estima que o mundo terá 115 milhões de pessoas a mais na linha da extrema pobreza. Como está o cenário no Brasil?

O Brasil vem na contramão desse cenário, a pandemia tornou o mundo mais pobre, mas o Brasil devido às políticas de mitigação dos efeitos da Covid, caminha no sentido oposto. Esse crescimento no Brasil e no mundo, existe uma diferença fundamental que foi a postura no enfrentamento da crise, fincada no equilíbrio fiscal e liberalização econômica dinâmica, que pode de fato ampliar o benefício social.

O Brasil em 2019, tinha faixa de extrema pobreza, que são famílias que vivem em lares com menos de 1,90 dólar por dia – o que dá cerca de R$ 10 -, 5,1% dessas famílias abaixo da linha de pobreza em 2019. Esperamos que até o final do ano esse número chegue até 4,1%, uma queda expressiva, sobretudo em comparação com o que está acontecendo no mundo.

Que tipo de relação existe no dado do IPEA que aponta que a cada mil pessoas incluídas no programa, 365 entram para o mercado de trabalho?

Temos o programa social e o mercado de trabalho andando de mãos dadas. O possível problema ou efeito colateral de um programa social é de desestimular a contratação. Disseram que a ampliação do valor iria concorrer com o mercado de trabalho, a família pobre vai preferir o auxílio mais alto ou alguma renda informal e não vai ofertar trabalho no setor formal. Os dados mostram que não, na verdade o Brasil a cada mil famílias que entram no programa social, ele gera 365 empregos formais. O mercado formal consegue trazer essas pessoas da informalidade, inclusive do programa social, para o mercado formal, porque removeu um ponto importante no auxílio e passou a permitir que a família ou o indivíduo permaneça no Auxílio Brasil mesmo que ele consiga emprego no setor formal, se ele perder o emprego ele não volta para o final da fila.

Qual é o impacto de políticas públicas no enfrentamento à pobreza?

A extrema pobreza depende da dinâmica econômica. Para superar a extrema pobreza, precisa de crescimento econômico e o Brasil vem surpreendendo nesse cenário. Primeiro você tem dinâmica econômica e depois tem a cobertura social. Essa foi a lição de casa que o Brasil fez: responsabilidade fiscal, crescimento econômico e agora inclusão de mais pessoas no Auxílio Brasil. Essa inclusão de novas pessoas, que é significativa, de fato tem um impacto sobre a pobreza.

O Brasil injetou, entre 2020 e 2021, segundo o Ministério da Economia, R$ 1 trilhão para enfrentar os efeitos da pandemia. Como o IPEA avalia esse investimento?

Não é só gastar, tem de gastar com responsabilidade e o governo pode gastar, porque teve uma ancora fiscal que deu condições ao governo gastar com a política social. Precisa ter responsabilidade fiscal e ter espaço para poder gastar e foi isso que o Brasil fez. É uma lógica simples, você equilibra as contas, gera dinâmica econômica em função do equilíbrio e você consegue incluir mais pessoas no auxílio social.

Quais outros indicadores se destacam no estudo do IPEA?

O principal destaque é esse convívio harmônico entre mercado formal e programa social. Tem ganhos em todas as regiões: criação de emprego e inclusão de pessoas no benefício social em todas regiões brasileiras. O destaque que chama atenção é que o Brasil vai fechar o final de 2022 com a taxa de extrema pobreza, que são pessoas extremamente necessitadas, muito menor que se observava em 2019.

 

Foto de capa: jcomp/Freepik

Jornal do Sudoeste

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