Camdomble do Engenho Velho/ Bah

Ilê Axé Iyá Nassô Oká / Terreiro da Casa Branca

O candomblé reverencia os orixás, divindades impregnadas de força mágica: o axé. Modificado no Brasil em seus traços primitivos, o candomblé ainda é, dos cultos africanos, o que conserva maior fidelidade às origens. Seu ritual visa à descida de orixás nos filhos de santo que entram em transe.

 Cada divindade tem seus sacerdotes, pais e mães de santo e as confrarias, os filhos e filhas de santo. Seus lugares de culto são chamados de terreiros ou roças. Os deuses são invocados pelos toques do atabaque. Possuídos, seus filhos dançam em atitudes que lembram o gestual do orixá incorporado.

 Cada orixá tem um dia da semana dedicado a ele e, em sua festa, cores que o identificam aparecem na roupa e adereços de seus filhos e nas guias, colares rituais de miçangas ou contas de vidro. Os orixás recebem oferendas de comidas e cada um tem uma saudação própria em língua africana. (Enciclopédia Microsoft® Encarta®. © 1993-2001 Microsoft Corporation.

O Candomblé do Engenho Velho ou Casa Branca do Engenho Velho é considerado o mais antigo da Bahia (Salvador). De ketu teriam vindo Adetá ou Iyá Dêtá, Iyá Kalá e Iyá Nassô e fundaram o candomblé do Engenho Velho que é considerado o primeiro da nação nagô. O ritual tem o nome de Ilê Iyá Nassô Oká, (Casa da mãe Nassô). Funcionava na Barroquinha e depois instalou-se no Engenho Velho do Rio Vermelho de baixo. O candomblé do Engenho Velho deu, de uma forma ou de outa, nascimento a todos os demais, pois foi o primeiro a funcionar regularmente na Bahia desde 1830.

Os sacerdotes africanos que vieram para o Brasil como escravos, juntamente com seus orixás, sua cultura, e seus idiomas, entre 1549 e 1888, tentaram de uma forma ou de outra, continuar praticando suas religiões em terras brasileiras.

A sucessora de Iyá Nassô chamava-se Marcelina e após a sua morte concorreram para direção do candomblé suas filhas Maria Júlia Conceição e Maria Júlia Figueiredo. Saiu vencedora Maria Júlia Figueiredo, substituta legal de Marcelina. Maria Júlia da Conceição afastou-se, arrendou terreno no Rio Vermelho e fundou com as demais dissidentes o candomblé do Gantois, nome em homenagem ao francês dono do terreno. Seguiram-se as substitutas: Maria Júlia da Conceição Nazaré, 1849-1910; Pulchéria Maria da Conceição, 1910-1918; Maria da Glória Nazareth, 1918-1920; Mãe Menininha do Gantois, 1922-1986; Mãe Cleusa Millet, 1989-1998; Mãe Carmem, 2002…

Substituiu Maria Júlia na direção do Engenho Velho, Mãe Sussu (Ursulina Figueiredo) e com a sua morte houve novamente disputa pela direção do candomblé entre as suas filhas chefiada por Aninha, (Eugenia Ana dos Santos), finalmente ficou como substituta Tia Massi (Maximiliana Maria da Conceição).

 Ti’ Joaquim, Aninha e as dissidentes do Engenho Velho, não se conformando com a derrota, fundaram um candomblé independente – Axé de Opó Afonjá sob a direção de Ti’ Joaquim, que foi substituído por Aninha. Maximiliana Maria da Conceição, Tia Massi, foi substituída por Maria Deolinda dos Santos, Mãe Oké, que fora substituída em 1969 por Marieta Vitória Cardoso, Oxum Niké, em seguida a Iyá Lorixá Altamira dos Santos, filha de Maria Deolinda dos Santos.

No início, as atividades religiosas dos Candomblés, sofreram perseguições da Sociedade e por parte da Polícia. Já no período da República, os candomblés foram proibidos de exercer as suas atividades e os Terreiros ficaram subjugados à Delegacia de Jogos, Entorpecentes e Lenocínio.

Hoje porém a situação é diferente. Existe na Prefeitura de Salvador, o Projeto Mamnba da Pro-Memória, sob a direção do Antropólogo Ordep José Trindade Serra, (brumadense) (Grifo nosso) cujo objetivo é proceder ao Mapeamento de Sítios e Monumentos Religiosos Negros na Bahia.

Em 14 de junho de 1986, o Ministério da Cultura, a Prefeitura Municipal de Salvador e o Ministério da Relações Exteriores, em conjunto lançaram oito postais sobre a Ilé Axé Iyá Nassô Oká e a revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional publicou – A Coroa de Xangô no Terreiro da Casa Branca – em separata do número 21/1986. Com essa decisão os Terreiros de Candomblé do Estado foram protegidos.

Diante da solicitação da Sociedade Beneficente São Jorge do Engenho Velho, conforme fundamentação e comprovação firmada pelo presidente, Sr. Antonio Agnelo Pereira, cultor de etnografia afro e diplomado em Língua Yorubá pelo Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia, o Conselho Estadual de Educação aprovou introdução da Língua yorubá nos Currículos de 1º e 2º Graus nos Colégios de Rede de Ensino do Estado.

 O Ilé Axé Iyá Nassô é o 1º Templo de Culto Religioso Negro no Brasil – Casa Branca do Engenho Velho. É o primeiro Monumento Negro considerado Patrimônio Histórico do Brasil desde o dia 31 de maio de 1984 (Tombamento do Terreiro do Engenho Velho).

Antes disso, em 1982, o Terreiro já havia sido tombado como Patrimônio da Cidade do Salvador, primeira Capital do Brasil. Em 1985 o Terreiro do Engenho Velho foi considerado Axé Especial de Preservação Cultural do Município de Salvador. A Sociedade São Jorge do Engenho Velho, representante legal da Comunidade do Ilé Axé Iya Nassô Oká foi considerada de utilidade pública Municipal e Estadual. É Membro do Conselho Geral do Memorial Zumbi. Atualmente está feito o Plano de preservação do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho e prepara-se o Projeto de Recuperação da área em convênio com o Ministério da Cultura e a Prefeitura Municipal do Salvador.

O Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, mais antigo do Brasil, tem como Iyalorixá a Venerável Altamira Cecília dos Santos, secundada pelas veneráveis Iya Kekeré Juliana da Silva Baraúna e Otun Iyá Kekeré Areonite da Conceição Chagas. Possui um vasto Colégio Sacerdotal composto pelas Iyá bomin, Ogans e Olossés, além de muitas Iyaôs e Abians. Deu origem a inúmeros Templos afro-brasileiros, e possui ligação e respeito a cultura Yorubá, representada na Bahia por Fatumbi e na África pelos Babalawós.

Iyá Nassô Akala Magbo Olodumare Sangò; Marcelina da Silva – Oba Tosi; Maria Julia Figueiredo de Oxum;  Omó Niké Ursulina de Figueiredo;  Mãe Sussu ; Maximiana Maria da Conceição ; Tia Massi  (Iwin Funké) cujas grandes auxliares foram Luzia de Oxum (Oxum Muiuá), Eugênia de Oxóssi e Teté de Iansã (Oya Tumkecy, a Iyá kekeré, falecida em 2006);Maria Deolinda dos Santos ;  Papai Oké,  Iwindejá; Marieta Vitória Cardoso – Oxum Niké ; Juliana da Silva Baraúna ;  Oya Tunkesi – Filha de santo de Maximiana Maria da Conceição; Iyakekere osi da Casa Branca;  Oju Iyagba do Terreiro. Altamira Cecília dos Santos – Mãe Tatá; Oxum Tomiwá (filha consanguínea de “Papai” Oké) e Areonite da Conceição Chagas; Mãe Nitinha de Oxum – Oloxundê; Iyá kekeré, Iyá Tebexê e Oju Odé do terreiro, além da decana do terreiro em tempo de sacerdócio, falecida em 4 de fevereiro de 2008. Mãe Nitinha também era a Iya Agan do terreiro Ilê Babá Agboulá em Itaparica (Amoreiras) conhecido por “Bela Vista”, embora não tenha confirmado este posto religioso.

 Mandingo

  Roque Ferreira

 “Devagar com esse nêgo mandingo

 Ele sabe apanhar a folha

Sabe mexer na erva

Sabe rezar a reza Sabe curimar…

Quando bate vem caboclo e orixá

Quando samba tudo que é erê vem dançar

 Nó de amor que ele faz ninguém desata

Ele dono do tempo, do vento, do ar e da mata.”

 

 

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
Categorias

Deixe seu comentário