Ciência na Uesb: Documentário revela como as crianças veem a pandemia de Covid-19

Por: Assessoria de Comunicação de Vitória da Conquista 

 

O surgimento da pandemia da Covid-19 afetou todos em diferentes formas. Como assimilar a existência e alastramento de um vírus em tamanhas proporções? Roteirizado e dirigido por Carla Brandão, o documentário “Minhas pessoas” busca trazer respostas para esse questionamento, sob uma ótica não muito comum em projetos como esse: o olhar infantil.

Segundo a pesquisadora, a ideia base para o documentário surgiu durante uma atividade da disciplina “Infância e Sociedade”, presente no curso de Psicologia, campus de Vitória da Conquista. Com orientação da professora Ana Lúcia Castilhano, a atividade se tornou o projeto que embasou o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da egressa.

“É comum olharmos para a criança como um corpo dominado pelo adulto e pelo estado que garante e assegura – ou, pelo menos, deveria – essa infância. Mas como seria observar isso [a pandemia] do ponto de vista dessa própria criança? Como esse grupo social estaria elaborando e enfrentando a pandemia? Foi daí que surgiu a ideia de perguntar a elas. Deixar que elas mesmas respondessem aquilo, que falassem por si mesmas”, explica a psicóloga.

Um novo olhar – Durante o processo, “Dinda” (apelido carinhoso pelo qual a pesquisadora era chamada por seus pequenos entrevistados) afirma ter percebido algo que já havia antecipado: a dificuldade que os adultos parecem possuir em relação a ouvir o que as crianças têm a dizer. Segundo ela, os mais jovens, frequentemente, não são escutados, e se são escutados, não são levados a sério. Outro traço notado pela psicóloga foi uma constante cobrança imposta pelos adultos às crianças, exigindo que elas se comportem como as futuras pessoas crescidas que serão e esperando delas uma resposta projetada, criada pela sua própria expectativa.

“Durante a coleta de informações, o que mais encontramos foram adultos dizendo que as respostas das crianças estavam ‘erradas’. A possível conclusão então – porque não posso dizer que esse trabalho termina – é que os pequenos são sim surpreendentes para os adultos porque os mesmos não os percebem ou não os admitem como seres sociais completos. Diferentes de nós, verdade, mas completos socialmente”, reflete a pesquisadora.

Tanto Carla quanto sua orientadora não encontraram dificuldades em dialogar com fontes tão jovens. A psicóloga afirma que as crianças dialogam e se comunicam muito bem, uma vez que se aceita o fato de que as respostas virão em uma linguagem própria: “(…) pode ser uma brincadeira, uma pintura, uma dança ou uma fala bem própria desta criança”. Ela ressalta, também, que a única dificuldade encontrada no processo foi selecionar o material que entraria na versão final do documentário, dada a riqueza de imagens, áudios e vídeos.

O documentário “Minhas pessoas” está disponível no YouTube.

Foto de capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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