Cinzas 2020

As cinzas, impostas na fronte dos fiéis, na Quarta-Feira de Cinzas, constituem uma lição de vida.
Revelam a transitoriedade das coisas.
Advertem que as vaidades são ilusórias.
         Lembram a todos nós que somos pó e em pó nos tornaremos.
“Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris.”
Lembra-te, homem, de que és pó e em pó te hás de tornar.
Não só a Igreja Católica celebra o tempo quaresmal.
Também as Igrejas Luterana, Presbiteriana, Anglicana e outras Igrejas Cristãs debruçam-se à face do mistério do Cristo que foi crucificado e ressuscitou.
O Papa Francisco tem estimulado o Ecumenismo.
Devido a seu Humanismo e  Humildade. a palavra de Francisco tem merecido a ausculta até de ateus ou supostos ateus.
Uso a expressão supostos ateus para me referir a algumas pessoas que se declaram atéias mas que, a meu ver, ateus não são.
Quem acredita na Dignidade Humana não é ateu. Quem luta por um mundo de Justiça não é ateu. Quem quer os bens partilhados não é ateu.
Quem só pensa em si é ateu.
Quem se coloca contra qualquer projeto de governo que pretenda distribuir melhor a riqueza é ateu.
Quem ataca o Papa, mesmo se declarando católico, porque o Papa abraçou um determinado líder politico, é ateu porque não acredita, nem no Papa, nem na Igreja que ele preside. Submete o Papa a sua opinião pessoal.
Este nosso Francisco não é Francisco I, nem Francisco II, como era de tradição no nome dos Papas e também no nome dos Reis. É apenas Francisco, Franciscc e nada mais.
         Jesus Cristo pode estar em toda parte.  Mas está sobretudo nas favelas, nos hospitais, nas prisões. Ali onde estão os pequeninos, os desabrigados, os marginalizados, ali está o Cristo Libertador, como anúncio de Esperança, consolo dos aflitos, auxílio dos que sofrem.
    Podemos traduzir de várias formas a advertência das Cinzas, como exemplficamos a seguir.
         Lembra-te, tu que exerces função pública de destaque e deténs uma cota de poder, tua função é transitória, os que hoje te bajulam amanhã te desprezarão, procura servir com devotamento à causa pública pois o que fizeres de bom será consolo e alimento de tua alma quando a penumbra chegar.
         Lembra-te, tu que estás a produzir tesouros no domínio das ciências, das artes ou das letras, os dotes do espírito podem fenecer e nem mesmo tens a garantia de desfrutar para sempre de lucidez intelectual. Foge do orgulho e da empáfia.
         Lembra-te, tu que estás vivo e fulgurante, que o túmulo é o teu destino final. Respeita a reverencia a morte, cultiva a memória dos que partiram.
         As cinzas dizem a todos, cristãos ou não cristãos, crentes ou incrédulos, que tudo é passageiro porque realmente somos pó e em pó haveremos de nos tornar.
 
João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, 74 anos, é professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES) e palestrante Brasil afora. Autor do livro Mulheres no banco dos réus – o universo feminino sob o olhar de um juiz (Editora Forense, Rio, 2009). E-mail: [email protected] Homepage: www.jbherkenhoff.com.br
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