COVID-19 pode prejudicar o funcionamento do sistema nervoso

Vírus é capaz de provocar sequelas nos vasos nervosos que podem desencadear doenças

Por: Redação MF Press Global

A infecção pelo coronavírus exige que o corpo humano inicie um processo inflamatório intenso que afeta todo o funcionamento do organismo. Uma das consequências dessa ação intensa, é deixar sequelas que prejudicam o funcionamento cerebral.

O processo inflamatório provocado pelo vírus altera a viscosidade e as microvilosidades do líquor, principalmente na região do sistema límbico. Isso pode gerar diversas consequências, dentre elas, a encefalopatia, que modifica o funcionamento e as estruturas do cérebro.

As sequelas da COVID-19 são provocadas pela ativação imunológica, que repercute em uma neuroinflamação e danos aos vasos sanguíneos cerebrais. As possíveis consequências são alterações na memória, distúrbios do sono, dificuldade em manter a concentração e perda de paladar e olfato.

No início da pandemia, não se sabia quais eram as consequências da COVID-19 no funcionamento neurológico. Mas hoje, eu e outros neurocientistas estudamos cada vez mais o impacto do vírus e as possíveis sequelas no funcionamento cerebral.

Como Chefe do Departamento de Ciências e Tecnologia da Logos University International, recentemente recebi no meu departamento um extenso relatório de médicos e psicólogos que constataram um aumento do número de pacientes que reclamam de alterações pós infecção: ou seja, sequelas do coronavírus. São casos de transtorno de ansiedade, falta de memória, fadiga, depressão, entre outros.

Um questionamento frequente é: “quem corre mais risco de ter sequelas da doença?” Mas para isso, não há respostas exatas, porque o fator genético de cada indivíduo exerce influência direta sobre como o corpo irá se comportar em contato com o vírus. A genética determina as probabilidades, mas nós não a temos prescrita em um papel.

Portanto, é preciso adotar todo cuidado possível, já que os tecidos nervosos afetados pelo processo inflamatório do coronavírus são justamente aqueles que regulam os nossos neurotransmissores e consequentemente afetam nosso estado psicológico e as funções cerebrais.

Por conseguinte, constato que são necessários mais estudos sobre melhoria terapêutica. Não se trata simplesmente de contar os sintomas ou avaliar a personalidade do paciente para buscar os tratamentos de acordo com os distúrbios ou doenças. Deve-se analisar o paciente como um todo, incluindo o seu histórico e também comorbidades. Além das terapias tradicionais, é fundamental o processo de neuroplasticidade.

Advirto ainda que com a chegada do carnaval, haverão aglomerações – o que é muito preocupante, já que o coronavírus em conjunto com outras patologias, como o vírus H1N1, torna-se ainda mais perigoso. É necessário cuidado: não podemos jogar a moeda da sorte e permitir que a doença ganhe ainda mais força.

Foto de Capa: Divulgação

Jornal do Sudoeste

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