Covid-19: vacina chega para comunidades quilombolas da região de Entre Rios (BA)

Prioridade no calendário nacional de vacinação, 329 quilombolas da microrregião estão sendo vacinados contra o novo coronavírus. Em Entre Rios, município que integra a microrregião, 237 quilombolas já receberam a primeira dose, segundo o MS.

Por: Alice Ribeiro/Brasil61

 

A vacinação contra a Covid-19 chegou para os povos tradicionais quilombolas da região de Entre Rios (BA). A região é formada pelos municípios de Entre Rios, Esplanada, Conde e Cardeal da Silva, que juntos concentram mais de 11 mil pessoas autodeclaradas descendentes e remanescentes de escravizados, segundo o Instituto de Geografia e Estatísticas (IBGE).  Entretanto, os dados oficiais do IBGE apresentam discrepância em relação aos dados informados pelas Secretarias Municipais de Saúde.

Em Esplanada, por exemplo, o IBGE estima que tem uma população quilombola de 7.377 pessoas, mas a Secretaria Municipal de Saúde não reconhece esse público no município. Se for estimar o número de vacinados, de acordo com os dados do IBGE, apenas 4% da população quilombola foi vacinada na região, mesmo sendo grupo prioritário.

Em Cardeal da Silva, a estimativa do IBGE é de 534 quilombolas, mas nenhuma dose foi aplicada nesse público no município, segundo o Ministério da Saúde. A equipe de reportagem tentou contato com a Secretaria Municipal de Saúde e não obteve retorno.

Cidades da região de Entre Rios com registro de Quilombolas População Quilombola (IBGE) Vacinados 1a Dose (Painel MS – 12 de junho) Vacinados 2a Dose (Painel MS – 12 de junho)
Esplanada 7.377 0 0
Entre Rios 2.686 237 69
Conde 904 92 11
Cardeal da Silva 534 0 0
Total 11.501 329 80

Dados retirados do IBGE e do Ministério da Saúde

A coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Francieli Fantinato, explica a importância da vacina nos grupos prioritários. “As comunidades quilombolas são populações que vivem em situação de vulnerabilidade social. Elas têm um modo de vida coletivo, os territórios habitacionais podem ser de difícil acesso e muitas vezes existe a necessidade de percorrer longas distâncias para acessar os cuidados de saúde. Com isso, essa população se torna mais vulnerável à doença, podendo evoluir para complicações e óbito.”

Em Entre Rios, a 123 quilômetros da capital baiana, Salvador, 237 membros dos cinco territórios remanescentes de quilombos foram vacinados com a primeira dose, segundo o Ministério da Saúde, o que representa 8,8% do número de quilombolas pelo IBGE (2.686). Mas a Secretaria Municipal de Saúde reconhece apenas 680 quilombolas no município. o que eleva a estimativa de vacinados para 34,8%. Desde o início da pandemia, até a segunda semana de junho, foram registrados mais de 1,6 mil casos de infecção pelo vírus no município, com 37 óbitos.

De acordo com a Secretaria de Saúde de Entre Rios, a vacinação no município começou no final de março.  Natália Menezes, coordenadora de imunização, ressalta a importância da adesão à campanha:

“Eles vivem em uma pequena aglomeração, né? O risco de disseminação do vírus é muito alto. Para dar mais comodidade a eles, a gente vai até o local. Um dos motivos principais da gente ter escolhido vacinar no quilombo é pra ter uma certeza que todos os quilombolas, que tomaram a primeira dose, vão tomar a segunda.”

Geronilson Silva, aos 59 anos, é membro do quilombo dos Pedros, na zona Rural de Entre Rios, onde vivem cerca de 120 famílias. Ele e todos os familiares, acima de 18 anos, já foram vacinados com a primeira dose do imunizante. Como presidente da União das Associações Quilombolas Vidas Negras, o lavrador afirma que já tem notado os reflexos da imunização nas localidades:

“Além de estarmos vacinando o nosso povo, nós estamos utilizando aquela base do distanciamento, usando a máscara e, na nossa comunidade, nós não temos quase ninguém infectado.”

Ainda segundo o líder quilombola, o trabalho de conscientização vai continuar até que todos tenham tomado as duas doses da vacina:

“A gente vai tentando conscientizar os nossos irmãos para que se vacinem. Para que tenhamos condições de desenvolver nossas atividades dentro do quilombo. Se a zona rural não planta, a cidade não janta. Vamos vacinar, que a gente não vai perder mais ninguém.”
Prioridade Quilombolas

No Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, divulgado em 16 de dezembro de 2020, grupos socialmente vulneráveis foram incluídos como prioridade no calendário de imunização. Entre eles, a população quilombola que vive em comunidades tradicionais e que, segundo o último levantamento realizado pelo IBGE, em 2019, representa mais de 1,3 milhão milhões de brasileiros. Essa prioridade se faz necessária diante da falta de acesso desse público à saúde, já que grande parte vive em zonas rurais, afastadas do ambiente urbano. A Bahia é o maior estado brasileiro em população quilombola, com mais de 268 mil habitantes, de acordo com levantamento do IBGE de 2019.

Para facilitar o enfrentamento da Covid-19 entre quilombolas e indígenas, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) antecipou a divulgação da base de informações geográficas e estatísticas sobre essa população em maio de 2020. O levantamento foi realizado em 2019.

Proteja-se

Se você sentir febre, cansaço, dor de cabeça ou perda de olfato e paladar procure atendimento médico. A recomendação do Ministério da Saúde é que a procura por ajuda médica deve ser feita imediatamente ao apresentar os sintomas, mesmo que de forma leve. Após a vacinação, continue seguindo os protocolos de segurança: use máscara de pano, lave as mãos com frequência com água e sabão ou álcool 70%; mantenha os ambientes limpos e ventiladores e evite aglomerações.

Vacinação na Bahia

De acordo com o Ministério da Saúde, a Bahia recebeu mais de 7 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. Desse número, 129.117 mil foram aplicadas na população quilombola. A vacina é segura e a principal forma de prevenir o novo coronavírus. Fique atento ao calendário de imunização do seu município. Para saber mais sobre a campanha de vacinação em todo o País, acesse gov.br/saude.

Serviço

Quilombolas que vivem em comunidades quilombolas, que ainda não tomaram a vacina, devem procurar a unidade básica de saúde do seu município. Para mais informações, basta acessar os canais online disponibilizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Acesse o portal gov.br/saude ou baixe o aplicativo Coronavírus – SUS. Pelo site ou app, é possível falar com um profissional de saúde e tirar todas as dúvidas sobre a pandemia.

Cidades da microrregião de Entre Rios com registro de população Quilombola Endereço Secretarias de Saúde: Telefone:
Esplanada Praça Monsenhor Zacarias Luz, S/N (75)  3427-2255
Entre Rios Praça Barão do Rio Branco-S/N-Centro (75) 3420-2273
Conde  Rua João Izidoro Lins, S/N – Centro (75) 3429- 1391
Cardeal da Silva Praça Divina Pastora, 300 – Centro (75) 3456-2113

 

 

 

 

Foto de capa: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jornal do Sudoeste

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