Cuidados no parto e no pré-natal podem evitar deficiências

Neuropediatra ressalta importância da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla

 

Por Dayse Luan

 

O Brasil possui mais de 45,6 milhões de pessoas com alguma deficiência, ou seja, 23,9% da população. Desse valor, a deficiência mental ou intelectual foi declarada por mais de 2,6 milhões de brasileiros, cerca de 1,4% da população, segundo o último censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números mostram como é importante para a sociedade entender sobre possíveis formas de minimizar os casos, identificar o quanto antes sinais de deficiência intelectual e promover o esclarecimento sobre a condição destas pessoas e contribuir para seu bem-estar.

Estes temas fazem parte da agenda da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla, celebrada entre 21 e 27 de agosto. A neuropediatra Alinne Rodrigues Belo (CRM 19322), que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, explica que a deficiência múltipla é quando há mais de uma associada. “Pode ser física, sensorial, mental, emocional ou do comportamento”, destaca.

Segundo a especialista, a deficiência intelectual pode ter diversas causas como a genética, responsável pelas síndromes do x frágil ou a de down, por exemplo. “Outras causas seriam malformações do sistema nervoso central por condições adquiridas por um erro no processo de desenvolvimento; por consequência de fatores teratogênicos, causados pelo uso de álcool, drogas e fumo; a desnutrição materna; infecção no sistema nervoso; problemas durante o parto ou ainda epilepsias que levam a uma deterioração do sistema nervoso. Outras causas que são raras, mas existem, são as intoxicações e doenças metabólicas”, detalha Alinne.

Parto e pré-natal
O momento do parto é muito delicado, pois complicações podem surgir. De acordo com Alinne Belo, várias condições podem levar a algum nível de sequela e estresse tóxico para o cérebro da criança, o que pode repercutir em uma deficiência física, uma sequela sensorial ou com comprometimento cognitivo intelectual. “Podem ser crianças que nascem de um parto prematuro ou têm uma assistência perinatal inadequada, o que pode levar a uma falta de oxigênio ou a uma hemorragia intracraniana. Além disso, pacientes que entram em sofrimento fetal por insuficiências placentárias ou que têm um deslocamento prematuro de placenta, infecções perinatais, na placenta, no útero. Ou ainda quando o feto não está em uma posição adequada no canal vaginal e o período expulsivo se torna prolongado”, ressalta a neuropediatra.

No entanto, Alinne Belo ressalta que um pré-natal adequado pode evitar muitos problemas no hora de dar à luz. “Outras causas muito comuns de complicações no parto que levam à problemas para a criança e podem desencadear uma deficiência podem ser a pré-eclâmpsia materna e a diabetes gestacional. Então se a mãe é acompanhada fará avaliação da pressão e da glicemia. Outras causas podem ser infecções intra uterinas ou doenças infectocontagiosas, como a toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus. Se a mãe fizer o seguimento pré-natal ela fará exames que rastreiam essas doenças. E todo esse acompanhamento é capaz de garantir que o parto seja feito da melhor forma possível”, salienta.

Sinais
Caso a deficiência do filho não seja detectada em exames clínicos, seja no período perinatal, que são os 28 dias após o parto, seja ao longo da infância, os pais devem estar atentos a alguns sinais. “Toda criança que tenha algum atraso no desenvolvimento, seja na aquisição dos marcos motores, como sentar, engatinhar, andar, ou a nível cognitivo, como dificuldade na linguagem, para se expressar ou se relacionar socialmente merecem atenção”, destaca a médica. Ela alerta para que os pais estejam atentos à caderneta da criança, que é nacional e contém de forma bem direta e didática os marcos motores esperados para a cada mês e a cada ano da vida criança.

Ela explica ainda como proceder ao perceber qualquer atraso no desenvolvimento. “A família precisa estar atenta ao comportamento, ao desenvolvimento e diante de qualquer atraso consultar um pediatra, fazer uma investigação e se necessário procurar um especialista para fazer o diagnóstico da melhor forma possível”, reforça Alinne Belo. A médica conta que o tratamento de crianças com qualquer deficiência é feito de forma individualizada, a longo prazo e com uma equipe interdisciplinar, com diversos médicos, e multidisciplinar composta por vários terapeutas.

A neuropediatra destaca ainda a importância da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla. “É fundamental para esclarecer o que é, trazer informações para a sociedade, porque quando existe o conhecimento consequentemente as pessoas avaliam melhor a situação, elas refletem, observam de uma forma diferente do que quando não tem orientação. E despertar na sociedade ainda a necessidade da consciência e do acolhimento.

 

Foto de Capa: Divulgação.

Jornal do Sudoeste

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