Dia da Consciência Negra

O líder da comunidade quilombola, Ganga Zumba, comandou a luta dos escravos fugidos, contra os portugueses, para assegurar a sua manutenção.   Ganga Zumba faleceu em 1678.

O Sobrinho do líder do Quilombo dos Palmares, por valor pessoal, assumiu e sucedeu o tio na luta contra as tropas do Sargento mor Manoel Lopes, em 1675, e contra as de Fernão Carrilho, em 1677.  Sobreviveu à destruição do Quilombo, e organizou novos combates. A data do Dia da consciência Negra foi adotada, alusiva à sua morte ocorrida em 20 de novembro.

Zumbi nasceu no começo de 1655 num dos inúmeros mocambos de Palmares. Foi capturado, ainda criança, pelos soldados da expedição comandada por Brás da Rocha Cardoso, e entregue ao padre português Antônio Melo, do distrito de Porto Calvo, Alagoas, então pertencente a Pernambuco. O ensinou a ler e o fez coroinha.  Aos dez anos foi batizado, e recebeu o nome Francisco.

Aos 15 anos, (1670), fugiu e voltou para o Quilombo dos Palmares. O padre e padrinho ficou estarrecido com a decisão do rapaz, sem motivo aparente.

Aos 18 anos, em 1673 derrotou a expedição de Antonio Jácome Bezerra; aos 22 anos, em 1677, quando da expedição de Fernão Carrilho, tornou-se comandante geral das milícias palmarinas. Num combate contra a expedição de Manuel Lopes Galvão, Zumbi recebeu um ferimento que o deixou coxo.

Zumbi é considerado o mais importante herói negro brasileiro. A partir de 1678, comandou a luta contra os portugueses em defesa da liberdade do seu povo. Chefiou a maior comunidade de escravos da história do Brasil, o Quilombo de Palmares. As derrotas sofridas pelos portugueses criaram um clima de insatisfação e insegurança nos habitantes.

Dandara foi casada com Zumbi dos Palmares, líder do quilombo e, juntos, lutaram pela liberdade de todos os escravos e contra a escravidão colonial. A defesa deste espaço era fundamental, pois o quilombo era a casa de acolhida dos escravos fugidos e a representação da resistência do povo negro à escravidão da época.

Ela foi presa no ano de 1694 em um dos muitos ataques sofridos pelo Quilombo de Palmares. Em um ato de desespero, para não retornar à condição de escrava, Dandara acabou cometendo suicídio

Fernão Carrilho levantou um arraial, recebeu reforços de Olinda e capturou no primeiro combate 56 quilombolas. Matou a todos os chefes e feriu Ganga Muíça, ministro de Zumbi. Houve grande destruição dos mocambos e mortes, até mesmo dos refugiados nas matas.  O resultado dessa operação culminou com   mais de duzentas presas, repartidas entre os sodados, descontado o imposto real.

Com a repercussão do êxito da expedição de Carrilho, motivou-lhe a liberação de dois negros (Dambi e Madalena), para servirem de porta-vozes e instarem com Ganga Zumba, para que se entregasse, ou seria destruído com fogo.

Ganga Zumba perdia prestígio como chefe militar entre os palmarinos. As derrotas eram atribuídas à sua incompetência e que teria comandado uma operação militar em estado de completa embriaguez. Crescia, então, o prestígio de Zumbi em todos os mocambos, salvo o Macaco. Realizaram assembleia pedindo a deposição de Ganga Zumba, apoiado pelo Conselho Geral da confederação palmarina.

 Zumbi como porta-voz da oposição, denunciou a inércia e a corrupção de Ganga Zumba, mas este saiu-se bem do episódio e continuou como chefe, entretanto houve muito descontentamento. Chefe da oposição, Zumbi, passou a conspirar para depor Ganga Zumba pela força.

Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco, Pedro de Almeida, cansado do longo conflito com os guerrilheiros de Palmares, se aproximou do líder Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos, se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita, mas Zumbi a rejeitou e desafiou a liderança de Ganga Zumba.   Tomou a iniciativa de continuar a resistência contra a opressão portuguesa e tornou-se o novo líder da   comunidade, substituindo seu tio, Ganga Zumba.

Houve resistência de Ganga Zumba que desfrutava de muito prestígio no Macaco, mas diante da tropa numerosa e aguerrida de Zumbi, Ganga Zumba sentiu que não poderia resistir, retirou-se às pressas para Cacaú, acompanhado pelos companheiros, dentre eles, os melhores chefes militares.

Zumbi assumiu o Macaco, tomou o poder, e foi aclamado chefe absoluto nas áreas política, administrativa e militar. Iniciava a partir dali, uma nova história da Republica dos Palmares. Os quilombolas fieis ao chefe Zumbi, deram-lhe poderes para decidir tanto na paz, quanto na guerra, sem consultar a ninguém.

  Diante da perspectiva de invasão do quilombo pelo portugueses, Ganga Zumba, colaborou com os colonizadores, fornecendo dados e informações militares interna do quilombo.  Zumbi estabeleceu um verdadeiro estado de Guerra, com estratégias diversas para sua defesa.

  Promovia assaltos às povoações e plantações, capturavam escravos, armas e munições. Foi uma verdadeira tática de desapropriação de haveres, colheitas e escravos que os palmarinos executaram. À violência dos guerrilheiros de Zumbi, os senhores de escravos respondiam igualmente, com apoio estatal.

Em 16 de fevereiro, o governador deu a André Dias, Capitão-mor de São Miguel, a incumbência de reprimir essas ações, podendo aquelas autoridades prendê-los ou mata-los. “Ainda que seja em fazendas ou casas de quaisquer moradores”. “Talvez porque André Dias não tenha conseguido conter os palmarinos, o governador ofereceu perdão e liberdade a Zumbi e seus familiares”.

Em 26 de março de 1680, lançou, por ordem sua, o sargento-mor Manoel Lopes Galvão,   em Porto Calvo, a ordem que fazia  saber  que “a toda pessoa de qualquer qualidade que por alguma forma  possa notificar ao capitão zumbi que o dito Senhor Governador novamente lhe tem perdoado, em nome de sua alteza, que Deus guarde  todos os crimes  que contra estes  povos tem cometido, tanto que se reduza à obediência  de nossas armas, buscando o dito Zumbi a seu tio Gana Zona, para viver na mesma liberdade com toda a sua família que goza o dito tio”. O prazo de quatro meses se esgotou e Zumbi não respondeu, ficando sem o efeito desejado.  As agressões continuaram de ambas as partes.

Em 26 de fevereiro de 1685, e com assinatura real, Zumbi recebeu a seguinte carta: “Eu El-Rei faço saber a vós Capitão Zumbi dos Palmares que hei por bem perdoar-vos de todos os excessos que haveis praticado assim contra a minha Real Fazenda como contra os povos de Pernambuco, e que assim o faço por entender que vossa rebeldia teve razão das maldades praticadas por alguns maus senhores em desobediência às minhas reais ordens. Convido-vos a assistir em qualquer estância que vos convier, com vossa mulher e filhos, e todos os vossos capitães, livres de qualquer cativeiro ou sujeição, como meus leais e fiéis súditos, sob minha Real proteção, do que fica ciente meu governador que vai para o governo dessa capitania”.

 Essa declaração significa um recuo e tentativa de conciliação da parte do Reino e consequentemente autoridades locais em face do potencial militar da República de Palmares.

Os senhores-de-engenho e donos de escravos da região viam em Palmares um problema sem solução política. Achavam que somente com a sua destruição militar a segurança das suas propriedades (terras e escravos) estaria assegurada. Ao analisar o problema se colocaram contra qualquer acordo.  Mobilizaram-se e apelaram para Lisboa, contra essa pacificação.

Os ex-governadores Aires de Souza e Melo e João de Souza fizeram duras críticas   a essa política.  O Conselho Ultramarino ponderou ao rei: “Não convém que se admita paz com estes negros, pois a experiência tem demonstrado que essa prática é sempre um meio engano e ainda pelo que toca à nossa reputação, por isto que são uns cativos e fugidos”.  O Rei levou um ano para se decidir sobre a questão da paz ou da guerra com Palmares.

O governador Souto Maior decidiu abrir negociações e despachou um emissário para o Macaco, propondo a paz.  Zumbi, experiente e diplomático, não a recusou e fez uma contraproposta, quando ela foi aceita, habilmente apresentou outra, desgastou política e o psicologicamente o inimigo, enquanto se fortalecia militarmente.  Criticado e acusado de malversação do dinheiro público e outras irregularidades, o governador teve sua autoridade desafiada e contestada.  Cedeu às pressões e suspendeu as negociações em fins de 1886.

Em 1694, o paulista   Domingos Jorge Velho foi contratado para arrasar Palmares, e finalmente ocupou a cidade de Macaco e os palmarinos sofreram derrota arrasadora, pelo erro estratégico militar urdido por   Zumbi.

Seguiram-se outras expedições, a de Pernambuco, liderada por Bernardo Vieira de Melo, e a dos alagoanos, chefiada por Sebastião Dias. Centenas de pessoas morreram em combate, mulheres e crianças imploravam misericórdia e grande parte fugiu para o sertão. Outros perseguidos por Vieira de Melo, caíram em um precipício. Zumbi escapou e sobreviveu à destruição do quilombo.  Manteve-se na resistência até a sua morte em 1695.   Por muito tempo espalhou-se a notícia do suicídio de Zumbi, um boato popularizado por Rocha Pita.

Joel Rufino dos Santos (biografo) relata o fato verdadeiro: “Zumbi que se postara na retaguarda da coluna de guerrilheiros, deixou Palmares na madrugada de 6 de fevereiro de 1694. Escapou com vida”.

Antes de completar um ano da queda de Palmares, Zumbi invadiu a vila de Penedo para conseguir armas.  Dois mil quilombolas sobreviventes continuavam a infestar a região, emboscando soldados e atacando vilarejos.

“Zumbi dos Palmares venceu dezenas de batalhas aplicando com engenho as regras da “guerra do mato”. Destaque-se que também houve expedição dos holandeses, contra o mocambo.

 Em 1694, Domingos Jorge Velho e Bernardo Vieira de Melo comandam o ataque final contra a Serra do Macaco, principal mocambo de Palmares, onde Zumbi nasceu. Cercada com três paliçadas, cada uma, se defendiam com homens armados. Após 94 anos de resistência, sucumbiu ao exército português, e embora ferido, Zumbi conseguiu fugir. A capital de Palmares foi destruída, em 06/02/1694.

 Foi traído por Antonio Soares, seu companheiro.  Morto em 20 de novembro de 1695, pela expedição de André Furtado Mendonça, em uma embosca, na serra de Dois Irmãos, local de seu esconderijo. Zumbi confiava em Antonio Soares, quando este meteu-lhe a faça na barriga, preparava-se para um abraço. Seis guerrilheiros estavam com ele naquele momento e, cinco foram mortos pela fuzilaria que irrompeu dos matos em volta. Zumbi sozinho matou um e feriu vários.

 O exame cadavérico acusou quinze ferimentos a bala e um sem-número de golpes de arma branca. Depois de morto, o “general” negro foi castrado e o pênis enfiado na boca; arrancaram-lhe um olho e deceparam a mão direita.

Cinco testemunhas depuseram e confirmaram que se tratava de Zumbi: Banga, o companheiro de Zumbi apanhado vivo; os escravos Francisco e João; o senhor-de-engenho Antonio Pinto e o lavrador Antonio Souza. Lavrou-se um “Auto de reconhecimento do negro Zumbi”.

 Por proposta de André Furtado de Mendonça, a Câmara deliberou que se conduzisse para Recife, apenas a cabeça do chefe negro. O cadáver foi levado para o pátio da Câmara, aí, perante todos os oficiais, um escravo decepou-lhe a cabeça, lavrando-se o “Auto de decapitação do negro Zumbi”.

Salgada com sal fino, a cabeça seguiu para Recife, onde o governador Melo e Castro mandou espetá-la em um chuço no lugar público da cidade de Recife, visando desmentir a crença popular sobre a imortalidade de Zumbi e, para servir de exemplo a outros escravos.

 Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: “Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares.”

 Encerrou-se assim a vida heroica de Zumbi dos Palmares.

Segundo Irineu Joffily (1977) após a derrota dos Palmares, os bandeirantes, levaram para a Paraíba inúmeros negros para venda, entre eles estava um filho de Zumbi que usava o mesmo nome do pai.

O Dia da Consciência Negra, é comemorado em 20 de novembro, desde 1995, quando Zumbi entrou para a geleira dos heróis. Esta data   tem um significado especial para os negros brasileiros que reverenciam Zumbi como símbolo e herói que lutou pela liberdade dos negros no Brasil. Morreu combatendo a escravidão, em defesa de seu povo, contra a opressão e crueldade dos portugueses.

 Em 2003, no dia 9 de janeiro, a lei 10.639 incluiu o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar. A mesma lei torna obrigatória o ensino sobre diversas áreas da História e cultura Afro-Brasileira. São abordados temas como a luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, o negro na sociedade nacional, inserção do negro no mercado de trabalho, discriminação, identificação de etnias, etc.

COMENTÁRIOS:

 Alguns historiadores atestam que Zumbi não existiu, era uma lenda, entre eles João Ribeiro (1935), Nina Rodrigues (1945) que asseverou: “é certo que haveria  em Palmares, além de Zambi rei, diversos Zambis generais, de sorte  que podia muito bem ter sucedido um que um Zambi tivesse sido traído e morto em combate;  outro tivesse sido morto e decapitado pelo Capitão Mendonça e um terceiro finalmente ter se precipitado do penhasco[…],    portanto a historiografia oficial não aceitava a qualidade de personagem histórico de Zumbi. Atualmente é considerado herói nacional da resistência reivindicatória dos movimentos e grupos negros.

Entretanto dois biógrafos, Décio Freitas e Joel Rufino dos Santos, fizeram um levantamento de fontes primárias, importantes e fidedignas, apresentaram como verdadeira, essa história, e não como uma lenda.

Resumo:

 Zumbi dos Palmares

Nascimento: 1655, Serra da Barriga, Alagoas

Falecimento: 20 de novembro de 1695, Quilombo dos Palmares

CônjugeDandara dos Palmares (a 1694)

PaisSabina

Nome completo: Francisco Zumbi

FilhosMotumbo dos PalmaresAristogíton dos PalmaresHarmódio dos Palmares

IrmãosAndalaquituche

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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