Dia da Criança, Dia da Leitura, Dia de Nossa Senhora

Dia abençoado, este 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Abençoado por ela, com certeza. Dia das Crianças, também. E Dia Nacional da Leitura. Feriado no Brasil, então não saí. Trabalhei na revista Escritores do Brasil, escrevi um bocadinho e falamos com o Rio, direto de Lisboa. Lá não é hoje o Dia da Criança, mas como o Rio é meio brasileiro, tínhamos que dar o parabéns para o nosso menino. Todos os dias são dele, são das crianças, mas dá uma vontade imensa de estar lá para dar um monte de abraços, apertar o neto, amassar um pouco, matar a saudade.  Essa pandemia precisa acabar, pra gente se jogar de mala e cuia para ficar com ele. Aquele sorriso e aqueles olhos sorridentes fazem a gente esquecer da pandemia e tudo o mais, com toda aquela luz carregada de alegria que emana do Rio. Que bom que Rio existe, para tornar a vida da gente mais feliz.

Então, além do dia da Criança, é também o Dia Nacional da Leitura. Vamos – e não só hoje, mas todos os dias – ler para as nossas crianças menores, ler com as nossas crianças, incentivar o gosto pela leitura nas nossas crianças. Tem muito a ver criança com leitura. Tem tudo a ver. Dê de presente a sua companhia, para as suas crianças. Leia um livro com elas ou para elas.

E a politicagem continua no Brasil, comendo solta, cada vez pior. Já não basta a pandemia, o desemprego, a miséria, ainda querem taxar os livros em 12%. Atualmente, os livros não possuem essa taxa, pois o objetivo disso (quando proposto por Jorge Amado) era tornar o acesso à cultura mais fácil, possível para todos. Infelizmente, sabemos que esse acesso já não é tão fácil assim, mesmo sem a taxação. Se aprovado o Projeto de Lei, os livros irão se tornar mais caros e inacessíveis do que já são para grande parte da população. Afetando, assim, não somente os que têm apreço à leitura e à cultura, mas também os trabalhadores do mercado editorial. O consumo de livros já é completamente elitizado, imagine se esta proposta for aprovada e implantada . A média de leitura do brasileiro é de APENAS dois livros por ano e, mesmo assim, a reforma foi encaminhada. A cultura e a educação não têm vez mesmo, neste governo.

No mais, um juiz do Supremo, Marco Aurélio, mandou soltar um dos maiores narcotraficantes e líder de uma das principais facções criminosas do país. Presidente do Supremo revogou, mas o criminoso já fugiu do país. Revogaram o ato irresponsável, o bandido está sendo procurado, mas onde estará, a esta altura? O sinistro Salles, do meio ambiente, continua sinistrando: Manifestantes criticaram o uso do retardante – produto químico tóxico proibido – .no combate a incêndios na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Em nota, a assessoria do Ministério do Meio Ambiente – leia-se sinistro Salles –  disse que ‘a opinião de meia dúzia de maconheiros não tem relevância’. A que ponto chegamos. Frise-se, a bem da verdade, que o sinistro só foi ao local das queimadas para mandar jogar o produto químico que é proibido em Goiás, quando os incêndios já tinham sido apagados. Depois de semanas de fogo, ele só foi lá quando já tinha sido controlado. E pra fazer caca, como sempre. E por aí afora, tem muito mais bandalheira. Mas a pandemia está aí e a boa notícia é que a curva está apontando para baixo, apesar da subnotificação que sabemos que há, pois a testagem no Brasil sempre esteve bem aquém do que deveria ser. Cuidem-se todos, para que a curva baixe ainda mais.

Luiz Carlos Amorim

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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