Documentário aborda intolerância religiosa e revela polêmica sobre o acarajé

Àkàrà, no fogo da intolerância será exibido gratuitamente em Lauro de Freitas 

 

Por Clube Press Assessoria de Comunicação

 

Em tempos de intolerância religiosa e polarização política, sobrou até mesmo para um dos ícones mais tradicionais da culinária baiana: o acarajé. A iguaria corre o risco de perder o título de Patrimônio Histórico e Imaterial pela descaracterização da sua receita original e comercialização por pessoas de outros credos. É com base em relatos de baianas de acarajé e resgate de acontecimentos históricos que surge o documentário Àkàrà, no fogo da intolerância. O doc será exibido gratuitamente nesta quarta-feira (12), no Cine Teatro Lauro de Freitas, às 18h.

Logo após a exibição do documentário, haverá uma mesa de debate sobre intolerância religiosa. O encontro contará com as presenças da Mameto Kamurici, do Terreiro São Jorge Filho da Goméia e diretora presidenta do Afro Bankoma; do babalorixá Anderson Argolo de Oxalá, do Terreiro Ilê Axé Ala Obatalandê; da yalorixa Jaciara Ribeiro, do Axé Abassá de Ogum, e Mãe Cacau, do Mansu Dandalunda Oyá Kissimbi N’ zambi.

                           Acarajé      Foto: (Divulgação Club Press)

Sobre o doc – Em Àkàrà, no fogo da intolerância, três baianas de acarajé conduzem a narrativa, que conta também com a participação de líderes religiosos e especialistas, que discutem a intolerância praticada contra as religiões de matriz africana. “Fizemos um apanhado dos casos mais marcantes dos últimos anos, uma análise histórica partindo da perspectiva de quem sofre este tipo de violência e a relação com o racismo estruturante instaurado na sociedade”, explica a diretora Cláudia Chávez.
Mais do que uma mistura de feijão, camarão e dendê, o acarajé – do Iorubá, àkàrà (bola de fogo) e jé (comer) – é um prato ofertado em ritual religioso à Iansã, rainha dos raios, ventos e tempestades. “Pra gente, do terreiro, o acarajé é como se fosse a hóstia da igreja católica ou a Santa Ceia dos evangélicos. Porque é sagrado, é uma oferenda para um orixá, e um orixá lindo, que é Iansã”, afirma Rita Santos, presidente Nacional da ABAM e uma das personagens do filme.

Produzido pela Apus – Produtora de Conteúdo e a Obá Cacauê Produções, o projeto foi contemplado pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) e ANCINE para a grade do Canal Curta!, com estreia na TV ainda em 2020. A trilha sonora é assinada pelo maestro Letieres Leite e produção executiva de Fabíola Aquino. “Depois da pré-estreia, as expectativas passam pela participação em festivais e mostras de cinema, nacionais e internacionais, além de manter a discussão viva acerca do tema em apresentações públicas em Salvador e interior da Bahia”, conta Fabíola.

Participam do documentário Rita Santos, presidente da ABAM; Cida Abreu, militante do Movimento Social Negro Brasileiro; Jaciara Ribeiro, yalorixá do Abassá de Ogum; Walmir França, militante do Movimento Negro; professor doutor Jaime Sodré; Vilma Reis, socióloga; professor doutor Hélio Santos; Anne Rodriguez, socióloga; pastor Djalma Torres, líder religioso e as baianas de acarajé Cida, Liu e Dadai.

 

Foto capa: (Divulgação Club Press)

 

Jornal do Sudoeste

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