Energia Renovável: Cooperativismo como ferramenta para redução de emissão de carbono

Na COP 27, cooperativas brasileiras mostraram projetos voltados à sustentabilidade no campo. Já as coops do Ramo Infraestrutura avançaram na geração e distribuição de energia renovável.

Por: Larissa Lago/Brasil 61

O cooperativismo brasileiro é uma ferramenta para a redução dos gases causadores do efeito estufa. É o que defende o coordenador de Meio Ambiente e Energia do Sistema OCB, Marco Olívio Morato de Oliveira, ao resumir a participação das cooperativas nos debates na 27ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A COP 27 reuniu representantes de cerca de 200 países, em novembro, no Egito.

“É a segunda COP do clima de que participamos e o nosso objetivo foi mostrar o cooperativismo como uma ferramenta para o alcance da neutralidade de carbono. E isso é feito com o protagonismo das pessoas. Precisamos do envolvimento de toda a sociedade e, fundamentalmente, dos pequenos e médios produtores rurais. E o cooperativismo é feito de pessoas, é feito de pequenos e médios produtores rurais cooperados”, explica o coordenador.

Na conferência, cooperativas brasileiras apresentaram ações voltadas ao aumento da sustentabilidade no campo. No painel ‘A importância das cooperativas para o agro sustentável’ foram apresentados projetos de restauração de áreas de conservação de vegetação nativa, de prevenção ao esgotamento do solo e da redução da emissão de gases, e de logística reversa de embalagens.

Os exemplos de sustentabilidade dentro do cooperativismo não se restringem ao Ramo Agropecuário. O Anuário do Cooperativismo 2022 mostra um avanço das cooperativas do Ramo Infraestrutura, na geração e distribuição de energias renováveis. Em 2021, apenas no segmento de geração distribuída de energia, foram constituídas 14 novas cooperativas exclusivas. Esses novos negócios se somam às 709 cooperativas de todos os ramos do cooperativismo com projetos de micro e minigeração distribuída. Segundo o anuário, esses projetos totalizam 48MW de potência instalada. Um incremento de 20,26Kw em relação a 2020.

“As cooperativas que geram energia renovável operam de duas maneiras: no sistema convencional, ou seja, os cooperados e as cooperativas se unem, constroem essa usina e comercializam essa energia para o mercado; e a partir de 2016, tivemos uma nova modalidade, que é a possibilidade dos novos empreendimentos de geração de energia participarem do sistema de compensação de energia – a cooperativa gera energia e injeta na rede da distribuidora de energia, e essa energia injetada na rede tem como destino as unidades consumidoras dos cooperados. Fica como crédito na conta de luz para estes cooperados”, detalha Marco Olívio Morato de Oliveira.

Aproveitando o sol forte do oeste da Bahia, a Cooperativa Educacional de Barreiras (Coopeb) decidiu, em 2018, criar um projeto para utilizar o sistema de compensação de energia e garantir descontos na conta de luz, se tornando um dos primeiros cases de sucesso do estado na área. “Utilizamos a energia solar. Então, com o projeto a gente juntou duas situações que nós tínhamos o desejo de realizar, que era a economia da energia e um estacionamento coberto”, conta Eduardo Solano, conselheiro administrativo da Coopeb.

Segundo Solano, a economia na conta de energia da escola chega a R$ 10 mil e a cooperativa já estuda formas de ampliar o projeto a partir de 2023. “Esperamos, principalmente no Nordeste, onde tem rios de vento e uma questão solar muito forte durante o ano todo, que nos próximos anos, tenhamos um ‘boom’ ainda maior na questão das energias renováveis. E sentimos muito orgulho de fazer parte do início disso”, reforça.

Projeto para desenvolvimento sustentável

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado da Bahia (Sescoop/BA) firmaram, em fevereiro deste ano, um projeto para promover um cooperativismo ainda mais sustentável e competitivo no estado. O objetivo é impulsionar a implementação da Agenda 2030 da ONU e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), nas atividades cooperativas, ampliar produção, rentabilidade e acesso a novos mercados.

Com prazo de 24 meses, o projeto produzirá diagnósticos sobre a realidade do sistema cooperativista baiano e elaborará estratégias de sustentabilidade e competitividade para as  cooperativas integrantes da iniciativa. Essas coops receberão oficinas de capacitação e assessoria técnica.

Para mais informações, acesse somoscooperativismo-ba.coop.br e as redes sociais do Sistema Oceb.

Foto de capa: Freepik

Jornal do Sudoeste

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