Fala de Lula para hoje e para a história do Brasil

Faz quase 3 anos que saí daqui deste sindicato para me entregar na Polícia Federal. Muitos foram contra.

Sabiam que estavam prendendo um inocente.

Como eu tinha clareza das mentiras contadas sobre mim, tomei a decisão de provar minha inocência de dentro da prisão.

Eu tinha tanta consciência da certeza que esse dia chegaria. E ele chegou. Quando decidi marcar esta entrevista, muita gente se preocupou com meu humor.

Se tem um cidadão com razão de estar magoado com as chibatadas que recebeu sou eu. Mas não estou.

Estou muito de bem com a vida. A lava jato desapareceu da minha vida. Estou satisfeito que tenha sido reconhecido o que meus advogados diziam.

Sei que é constrangedor pra quem me acusou parar de acusar. Olha como eu tô muito mais sereno do que o Bonner ontem dando a notícia…

Só queria dizer que estou em uma idade que não há em mim mais espaço pra guardar ódio. Fui abençoado por Deus por muitas coisas.

Se não fosse isso não teria chegado a ser presidente. A primeira eleição que disputei só tinha doutor… Eu podia não ter chegado aqui. Mas eu cheguei.

Sei o que minha família passou. Que a Marisa morreu. Poderia estar magoado. Mas não estou.

A dor que eu sinto não é nada perto do que sentem os familiares das quase 270 mil vítimas do coronavírus.

Quero avisar que vou voltar a andar por esse país pra conversar com esse povo.

O povo não pode permitir que um homem que causa os males que Bolsonaro causa continue governando.
Não sei o que vamos fazer, mas vamos precisar fazer.

Quero conversar com a classe política. Preciso conversar com os empresários. Quero saber que loucura é essa.

Eles precisam entender que se eles quiserem crescer, o povo precisa ter renda.
Não tenham medo de mim.

Eu sou radical porque eu quero ir na raiz dos problemas. Porque quero construir um mundo mais justo.

Luiz Inácio Lula da Silva 
João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff

João Baptista Herkenhoff, magistrado aposentado, 74 anos, é professor pesquisador da Faculdade Estácio de Sá de Vila Velha (ES) e palestrante Brasil afora. Autor do livro Mulheres no banco dos réus – o universo feminino sob o olhar de um juiz (Editora Forense, Rio, 2009). E-mail: [email protected] Homepage: www.jbherkenhoff.com.br
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