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Fim de 2018 e os valores que permeiam a nossa sociedade

Esse ano, 2018, observei muita gente se arrumar com cuidado e elegantemente chegar à festa de casamento, mas o que aconteceu com esse povo na hora de se servir? Os convidados avançaram nos doces e fizeram trouxas de comida pra levarem pra casa. Quando vi essa cena me perguntei o que poderia ter originado aquele comportamento. Antes não era assim, o menos educado, se tirassem algum doce da festa era escondido, por saber que estava fazendo algo errado e se fosse pego se envergonhava. O que aconteceu?

Acredito que antes o dono da festa tenha autorizado os convidados a levarem a comida pra casa para não deixar para o bufê, ou para os empregados do mesmo. Algum tempo atrás ouvi comentários de pessoas que se sentiram enganados por bufês em relação à comida servida na festa e a que sobrava, pois ninguém sabia quem levava. Talvez para que isso não acontecesse alguém tenha dito para os convidados levarem a comida e virou moda. Provavelmente esse é mais um problema que se origina na falta de valores como honestidade, compromisso, respeito e de responsabilidadepor parte das empresas que “fazem a festa”.

Como diz a música de Roberto Carlos, “Eu não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso, um erro não conserta o outro, isso é o que eu penso.”.  Antes o que estava errado não era o comportamento dos convidados, então não era isso que deveria ter mudado. A mudança é importante para a nossa evolução, mas mudar o que está errado e não o certo, ou regredimos no lugar de evoluirmos. O que talvez tenha faltado tenha sido adenuncia do que estava errado. “Mas não tenho como provar”. Se você sabe que existe algo errado denuncie assim mesmo, porque é nisso que se apoia o pilantra, ele acha que não vai responder por seus atos porque ninguém pode provar.

João de Deus passou anos abusando de mulheres porque ninguém denunciava, não tinham como provar. Quanto sofrimento poderia ter sido evitado se essa denuncia que fizeram recentemente tivesse sido na época das primeiras vítimas? A obrigação do cidadão é de falar a verdade, para que a justiça seja feita e assim evitar que o mesmo ocorra com outros. Observe que esse caso precisou chegar num programa de televisão para que a justiça seja feita. Denuncie, vá a policia, procure a justiça e se necessário os meios de comunicação. Não desista da verdade e acredite,  a denúncia é uma luz capaz de acabar com a escuridão.

Mas voltando a festa, atualmente pra casar muitos se sentem obrigados a seguirem essas “novas regras” da sociedade que, em minha opinião, promovem a falta de educação. Acho que alguém pegou o caminho mais fácil e errado pra solucionar o problema de desvio de comida dos bufês e acabou gerando, além de mais despesas, um espetáculo grotesco e constrangedor, que se presencia hoje em festas de casamento, com a disputa por comida, sujeira e desperdício.

O errado não se torna certo porque a maioria está fazendo errado, a mentira não se torna verdade porque todos estão mentindo, assim como a desculpa não é melhor que a mentira porque tem outro nome se ambas são desprovidas de verdade. A ausência de valores éticos e morais é com certeza a base de muitos problemas na nossa sociedade. Portanto fomente valores, fale, ensine, reflita sobre honestidade, respeito, responsabilidade, compromisso, justiça, entre outros, e assim estará construindo pilares sólidos para uma sociedade saudável, pacifica e prospera.

Feliz Natal e um 2019 de paz, amor e prosperidade.

Rosita Capelo Fonteles

Rosita Capelo Fonteles

Doutoranda em Psicopedagogia na UAH (Universidad de Alcalá de Henares), Espanha e pesquisadora de proposta educativa voltada para o desenvolvimento humano;  autora do programa Cinquenta Minutos de Valores Humanos para o Ensino Superior (disponível gratuitamente em:http://www.cincominutos.org/cinquenta.minutos.htm); membro da equipe pedagógica do Programa Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola; especialista em Educação Biocêntrica pela UECE (Universidade Estadual do Ceará); especialista em informática pela UFC (Universidade Federal do Ceará); licenciada em letras pela UECE, Brasil.
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