Final de semana no platô

Este final de semana foi bastante frio, um pouco de chuva, mas teve um pouquinho de sol. “Aquecedor” ligado a todo gás, aproveitamos a chapa dele para fazer lagarto assado de panela para o almoço e pão de queijo para a janta. Até porque hoje é dia de festa, embora a gente não tenha saído de casa, pois a pandemia está com toda força lá fora. E agora a OMS admitiu formalmente que a Covid 19 pode ser transmitida pelo ar. Quer dizer, o risco é maior do que pensávamos ser. Estamos de aniversário, eu e a Stela, hoje faz trinta e oito anos de casamento. Na verdade, eu estou de parabéns por ela estar sempre ao meu lado há tanto tempo.

E falamos, como sempre com o neto Rio, em Lisboa, pois ele também está de aniversário, aliás, desaniversário. Ela faz aniversário do dia dez e neste dia dez ele completou um ano e três meses de pura fofura e encantamento. Então comemoramos com o Rio também, conversando com ele no bebenês fluente que nós não falamos mas entendemos muito bem, com o riso sonoro dele e o riso encantador, com as caminhadas e corridas dele, com o prazer dele ao comer cerejas, mirtilos, mamão, pêssegos, figos e outras frutas das quais ele gosta tanto. Nossa fonte de luz, nossa fonte de vida.

Ontem um âncora de telejornal falou sobre aquilo que venho falando há alguns meses aqui no diário: o fato de os números da pandemia diminuirem dramaticamente nos finais e começos de semana. Explico-se o que eu já havia dito, que as notificações não são feitas porque as secretarias de saúde dos estados não estão funcionando normalmente, no sábado e no domingo, como nos dias de semana e os casos só são notificados mais tarde. Só que tem aquele detalhe: os números diminuem no final de semana, na segunda-feira, mas na terça voltam ao nível “normal”, ou seja, ao patamar dos dias de semana da semana anterior, não parecendo que os casos do final de semana tenham acumulado na terça ou na quarta. É estranho que o que não foi contabilizado no domingo, por exemplo, não apareça nos dias posteriores. Então foi decidido que se fará uma média dos últimos sete dias dos números para que se saiba, com mais exatidão, quanto é que está aumentando por dia os casos confirmados e os óbitos. Mas não explicaram porque os números compilados das secretarias de saúde dos estados, divulgados pela imprensa, não bate com os números fornecidos pelo ministério da saúde (governo), se esses números também são colhidos nas mesmas secretarias de saúde dos mesmos estados.

Nos últimos dias, últimas semanas, segundo os números fornecidos pelas secretarias de saúde dos estados, foram mais de mil mortos, já são mais de setenta e dois mil. E temos quase um milhão de novos casos confirmados no total . É muita coisa. Neste final de semana o presidanta nomeou mais um ministro, o da Educação. Não imagino o que vai ser. O ministro da saúde, no entanto, nem tchum. Boa estratégia para o combate à pandemia, não? Sem ministro da saúde. Só no Brasil mesmo, infelizmente.

A curva da pandemia não está baixando. Falam em platô, o que quer dizer que a curva está achatada, estabilizada, mas nada de descer. Fala-se também que este é o pico da pandemia. Esperemos, então, que comece a baixar logo.

Cuidem-se todos. Não baixem a guarda. A Covid 19 está aí. Suspensa no ar, admitem agora. Há que nos cuidarmos.

Luiz Carlos Amorim

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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