Janeiro de 2022 e a Covid

E a pandemia vai se agravando, de novo, neste início de ano, infelizmente. No dia 19 de janeiro, pela primeira vez, o Brasil registrou mais de 200 mil casos conhecidos de Covid-19 em 24 horas.   Número de casos aumentado terrivelmente, por causa da variante ômicron, número de mortes também e hospitais  lotados. Não é o começo de ano que a gente esperava. No dia 26 de janeiro foram registrados 606 mortes e 220 mil (duzentos e vinte mil) novos casos, isto tudo no intervalo de apenas 24 horas. O Brasil atingiu mais de 1 milhão de pessoas contaminadas pela covid-19 na última semana de janeiro. Foram 1.305.447 registros.  São números muito altos que revelam um aumento imenso nos novos casos da pandemia e de mortes também. Os hospitais estão começando a ficarem lotados, pois as pessoas que não se vacinaram até agora ou só tomaram a primeira dose estão sendo contaminadas e muitas estão tendo complicações, indo parar nas UTIs.

Também no mês de janeiro,  depois de meados do mês, começou a campanha de vacinação infantil contra a Covid para crianças de 5 a 11 anos. Com quantidade de doses pequena, mas começou. Pra variar, dá-se a partida e logo começa a andar a passo de tartaruga, como aconteceu com a vacina para adultos, pois o que chega é pouco para a demanda e a compra, pelo ministério da saúde, é feita sempre com atraso. E isso é crime, atrasar a vacinação, pois enquanto vão faltando doses, as pessoas vão morrendo.

No dia vinte de janeiro, a Anvisa autorizou a aplicação da vacina CoronaVac em crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos, mas vetou o uso em pessoas com baixa imunidade. A vacina tamabém não pode ser aplicada em imunossuprimidos. A aplicação está liberada para público com outras comorbidades. Imunização será em duas doses, aplicadas com intervalo de 28 dias; a vacina é a mesma usada em adultos, sem adaptação para versão pediátrica. Até porque, como foi divulgado desde o início da vacinação dos adultos, a eficácia da Coronavac é de cinquenta por cento. É como se fosse metade da dose de outra vacina.

No final de semana em meados de janeiro, uma nota técnica do Ministério da Saúde trouxe uma contradição sobre o uso da cloroquina no tratamento contra a Covid-19. Normal, vindo do desgoverno, não e? Na página 13, no trecho sobre os elementos técnicos e científicos das diretrizes terapêuticas, o documento rejeita o uso da substância: “Recomendamos não utilizar hidroxicloroquina/cloroquina, isolada ou em associação com azitromicina, em pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19”, orienta o Ministério da Saúde. “A cloroquina e a hidroxicloroquina não devem ser utilizadas, independentemente da via de administração (oral, inalatória ou outras)”, acrescenta. Mais à frente, porém, na página 25, no entanto, ao tratar de estudos feitos sobre a eficácia dos procedimentos analisados contra a Covid-19, o Ministério da Saúde afirma que há demonstração de efetividade da cloroquina e que não há a mesma demonstração a respeito da vacina. O governo insiste em querer empurrar um fármaco que comprovadamente não pode ser usado contra a covid, depois de tanto tempo da comprovação científica de que não é indicado? Quando isso vai parar? O que precisamos é que todos se vacinem, mas o presidanta e seus asseclas não querem que isso aconteceça, sempre fazendo companha contra a vacina. Inacreditável. Mais uma vez, isso é crime, pois pessoas estão morrendo com essa desinformação.

Por sua vez, Portugal registou, no dia 25 de janeiro, 42 mortes e 65.578 novos casos de infecção pelo coronavírus SARS-CoV-2, de acordo com os dados da Direção-Geral da Saúde (DGS). Este é o número de casos diários mais alto de sempre. O máximo anterior tinha sido registado na passada sexta-feira, dia 21 de Janeiro, data em que foram contabilizados 58.530 infectados. Também aumentou demais, pois antes da ômicron, os números de mortes eram ínfimos, um dois, três, e o número de novos casos não passava de duzentos.

Então janeiro não foi um bom mês, nem para o Brasil, nem para o mundo todo. A ômicron tomou conta e a pandemia voltou a aumentar. Precisamos continuar nos cuidando, pois mesmo com covid branda, podemos ter sequelas. Isto dito por infectologistas, médicos, especialistas.

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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