O caminhar do estudante para ser cientista na Uesb

Por Carlos Santos/ Ascom Uesb

 

Ao ingressar em curso de graduação em uma Universidade Pública, o caminho profissional a ser trilhado pode ser vários. É possível pensar em uma atuação com mais foco no mercado de trabalho ou, quem sabe, trilhar uma carreira acadêmica, em busca da investigação científica e da descoberta do novo. Para quem deseja se arriscar no mundo da ciência, o caminho, geralmente, começa na Iniciação Científica (IC).

Na Uesb, os estudantes de graduação encontram dois Programas para iniciar na carreira de pesquisador: o Programa de Iniciação Científica (Pibic) e o Programa de Iniciação Científica (Pibiti). Atualmente, cerca de 350 bolsas de Iniciação Científica são concedidas anualmente, seja pela própria Universidade ou em parceria com agências de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

Segundo o professor César Cassoti, representante do Comitê Interno de Bolsas de Iniciação Científica do Pibiti na Uesb, um bolsista da IC, “ao ingressar, passa a ser um parceiro do orientador e atua em todas as etapas de um projeto de pesquisa científica”. O docente ainda explica que a participação vai em etapas como “a elaboração do projeto, a definição do problema de pesquisa, a seleção dos instrumentos de coleta de dados, o treinamento da equipe, a coleta de dados, a tabulação e análise de dados e a redação de relatórios e escrita de manuscritos”.

Em 2020, a Uesb chegou a marca de 767 pesquisas em andamento cadastradas na Gerência de Pesquisa e Inovação. Os projetos contemplam as mais diversas áreas e contam com a colaboração desses novos cientistas, totalizando 572 alunos bolsistas e voluntários em Iniciação Científica, nos três campi.

Entre esses novos cientistas, está Hélio Costa, estudante de Zootecnia, campus de Itapetinga, e bolsista de IC desde 2018. O pesquisador faz parte do projeto “Extratoalcaloídico de algaroba como aditivo nutricional para vacas lactantes: parâmetros da fermentação no rúmem”. “Essa experiência possibilitou enxergar a aplicação dos conhecimentos adquiridos na graduação tanto para a ciência quanto para a sociedade” compara Silva. Para ele, a Iniciação Científica tem sido uma das grandes motivações para sua atuação como zootecnista após a formação.

Mas o que é ser cientista? – Segundo o dicionário Houaiss, a palavra cientista está relacionada com aquele que se dedica à ciência, ao conhecimento, ao saber. É aquele pesquisador que obtém conhecimento baseado em um método científico, nas mais diversas áreas do conhecimento. Por meio desses experimentos, a ciência evolui e a humanidade ganha com novas contribuições, como a melhoria na saúde e na qualidade de vida, a criação de novas tecnologias etc.

No universo acadêmico, o caminho vai além da Iniciação Científica. Após a conclusão da graduação, o processo de investigação científica segue para os cursos de pós-graduação, com produção de dissertação, no Mestrado, e de teses, no Doutorado. Ainda é possível seguir um pouco mais com a ciência em um pós-Doutorado.

Um exemplo dessa trajetória acadêmica é o pesquisador José Ailton Carneiro, professor do Departamento de Saúde 1 da Uesb. O docente iniciou sua carreira de cientista no Núcleo de Estudos em Atividade Física e Saúde (Neafis), ainda quando fazia a licenciatura em Educação Física, no campus de Jequié. Hoje, Carneiro já concluiu seu Doutorado em Clínica Médica, na Universidade de São Paulo (USP). Ao lembrar da Iniciação Científica, Carneiro diz que aquele “foi meu primeiro contato com a ciência. Além de contribuir com minha formação, a IC foi fundamental no desenvolvimento de minhas habilidades para a produção de conhecimentos e me tornar professor da Uesb”, destaca.

A experiência, inclusive, foi crucial para o ingresso na pós-graduação na USP, onde desenvolveu sua tese sobre “Atividade física espontânea, capacitação funcional e qualidade muscular em idosos e não frágeis”. Hoje, além de professor, Carneiro coordena o Núcleo de Estudos em Epidemiologia do Envelhecimento (Nepe). “Este ano, uma das minhas orientandas de IC na Uesb está concorrendo ao Prêmio Destaque na Iniciação Científica e Tecnológica Edição 2020, um fruto da pesquisa”, conta o pesquisador.

Dicas para iniciantes – A jornada é longa para o estudante que deseja se tornar um cientista: em média, 10 anos entre a graduação e o Doutorado. Segundo o professor Lucas dos Santos, coordenador da Escola de Pesquisadores da Uesb, a formação de todo cientista requer sentimento de pertença a determinada área do conhecimento e, também, a curiosidade e necessidade pela busca constante. “Além do ‘gostar’ é preciso ‘buscar’ conhecer, se especializar através da participação em grupos, cursos e/ou projetos que venham a somar na sua formação como pesquisador. É preciso transcender, romper as limitações da grade curricular e buscar outras vias formativas que corroborem a sua formação como um bom pesquisador”, orienta.

 

Foto de Capa: Divulgação/ Ascom Uesb.

Jornal do Sudoeste

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