O crime de doar livros

O Brasil é, infelizmente, um país que lê muito pouco, todos sabemos. Por diversas razões: educação ruim, preço do livro, etc., etc. Então fazemos questão de divulgar e incentivar iniciativas no sentido de facilitar o acesso ao livro, à leitura, por parte de todos, principalmente àqueles que não tem condições de comprar livros.

Felizmente temos escrito bastante sobre projetos particulares, privados, de pessoas abnegadas e dedicadas que trabalham, sem nada esperar em troca, para fazer com que livros conseguidos por doação cheguem até novos leitores, inclusive para incutir o hábito da leitura. Digo felizmente, porque é muito bom saber que existe quem se dedique a coletar livros para oferecê-los gratuitamente a quem queira lê-los.

Já registrei, aqui nestas crônicas, muitos projetos de leitura, como “Ler é viajar sem sair do Lugar”, da professora Mariza, de Joinville. Ele pede livros e revistas e os leva a pontos de leitura em hospitais, consultórios, escolas, etc., para que as pessoas leiam enquanto esperam ou levem para casa para ler. Projeto similar é o levado pela professora Edna, de Minas, que também cata livros para distribuí-los de graça, em diversos pontos da sua cidade.

Aqui em Floripa há o Floripa Letrada, que tem o propósito de receber livros em doação para colocá-los à disposição nos terminais de ônibus para que os usuários leiam, podendo levá-los para ler na viagem ou em casa, mas com o compromisso de devolvê-los às estantes para que outros leitores possam levá-los também. A verdade é que poucos devolvem. Muito poucos. E os livros colocados à disposição, muitos deles, nos últimos tempos, são apostilas que sobraram nos porões, muitas delas já defasadas.

Em Joinville há um projeto semelhante, numa praia aqui da capital um menino também saiu à cata da livros pela vizinhança e montou uma biblioteca para a comunidade, num cantinho do boteco do seu pai. E por aí afora.

Então, quando veja a notícia de que a prefeitura do Rio de Janeiro multou uma barraca de praia por distribuir livros de graça, fico indignado. Foi na praia do Leme. O doador de livros foi multado em 360,00 reais pelo crime de oferecer livros sem cobrar nada por eles. E saibam que a barraca que doava livros pagava licença para estar lá, na praia, a doar livros.

Fico indignado porque a educação está sucateada por causa de políticos corruptos que, além de corruptos, não tem cultura nenhuma, sequer um pouco de educação. Então esses mesmos “políticos” que administram o país fazem modificações na educação – e quando digo educação incluo aí o ensino, conforme nos diz o dicionário – mas não são mudanças para melhor, são mudanças para piorar ainda mais uma coisa que já era ruim.

Eles não fazem nada pela cultura, pela educação e ainda penalizam quem tenta fazer. É uma vergonha, mas isso é Brasil. Infelizmente. Precisamos que alguém apareça para resgatar a educação neste nosso Brasilzão de Deus, pois um país sem educação dá nisso que temos hoje em nosso país: violência, corrupção, falta de segurança, de saúde, até de justiça. Falta de tudo, até de humanidade.

Luiz Carlos Amorim

Luiz Carlos Amorim

Coordenador do Grupo Literário A Ilha em SC, com 31 anos de atividades e editor das Edições A Ilha, que publicam a revista Suplemento Literário A Ilha e mais de 50 livros editados. Eleito Personalidade Literária de 2011 pela Academia Catarinense de Letras e Artes. Ocupante da cadeira 19 da Academia Sul Brasileira de Letras. Editor do portal ProsaA, Poesia & Cia. (Http://www.prosapoesiaecia.xpg.com.br ) e autor de 27 livros de crônicas, contos e poemas, três deles publicados no exterior.  Blog:  http://lcamorim.blogspot.com
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