O Fiu Fiu foi rebaixado

Um número sem fim de compartilhamentos sobre a campanha “Chega de Fiu Fiu” está acontecendo, além de outras iniciativas como a que distribui apitos para mulheres como o objetivo de inibir o assédio em locais públicos. Ambas as iniciativas são muito válidas ao refletirem sobre um momento de total ineficiência do estado em garantir a segurança, principalmente de mulheres que, sim, é o sexo frágil anatomicamente. Neste quesito sempre estaremos em desvantagem em relação a um agressor do sexo oposto, principalmente se este portar alguma arma.

Mas considere também que tão ineficiente quanto a segurança estatal, é a forma com que tais iniciativas estão sendo encaradas. A campanha dos apitos, divulgada ontem no Jornal Hoje da Rede Globo chega a ser preocupante, visto que se você está sendo assediada e o agressor estiver armado e você começar a apitar, isso pode deixá-lo ainda mais nervoso e ele poderia, num impulso, atirar em você, na vítima e até mesmo em pessoas a sua volta.

Já a campanha “Chega de Fiu Fiu” aborda um assunto que é ainda mais polêmico, as cantadas de rua estão inseridas num mesmo balaio da violência contra a mulher. Perceba que podemos fazer aqui uma analogia com a lei seca, que criminaliza o pai de família que tomou uma lata de cerveja no almoço de domingo e mesmo assim será multado/roubado, terá o carro apreendido e será preso. Acalme-se, isso ainda não significa que se você assoviar para alguém na rua você será preso. Mas se seguirmos a dinâmica de ações, logo caminharemos para isso. Uma atitude que há não muito tempo atrás se tratava como elogio, hoje é vista como assédio.

Não, eu não estou dizendo que é agradável ser assediada, mas eu também não estou dizendo que ouvir um assovio é desagradável (numa analise estética me preocupa mais se eu não receber nenhum), pois nunca em sã consciência eu poderia abordar as duas atitudes num mesmo contexto.

Poderia sim ser sequencial, aquele que te assovia pode ser um agressor? Sim! Mas por isso você vai tratar todos que te assoviam como agressores? Não é o mesmo que dizer que todo negro mal vestido que se aproxima de você durante a noite vai te assaltar? Ou que todo homem que tem um amigo intimo do mesmo sexo é gay? É o mesmo pré-conceito, aceite.

Retomando as questões práticas, apesar de errarem a mão na abordagem, como disse anteriormente as iniciativas reafirmam a necessidade de mais efetiva segurança e a forma mais contundente sempre (sendo repetitiva em relação aos textos já publicados) é aproximar as mulheres de uma forma de se defender sozinhas pela liberação do porte de armas, ou mesmo, de forma mais prática considerando que a liberação total é tão distante, no mínimo desburocratizando o porte para aqueles indivíduos, homens ou mulheres, que já foram vitimas de alguma agressão ou que estão em alguma situação de risco.

Júlio César Cardoso

Júlio César Cardoso

Bacharel em Direito e servidor federal aposentado. Balneário Camboriú-Santa Catarina.
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