O tabaco e suas consequências deletérias para a saúde

Até o descobrimento da América pelos navegadores não havia cigarros na Europa. Já os índios americanos fumavam, cheiravam e mascavam a folha do tabaco. Acreditavam que o fumo tinha significativa ligação com os espíritos e era usado nas cerimônias religiosas.   Os efeitos produzidos pela intensa nuvem de fumaça pela queima do produto entravam em transe.  Antes de irem para a guerra fumavam para aliviar a dor e também por prazer.

O habito de fumar e de tragar a fumaça, conquistou o homem branco que aderiu ao seu uso. Vasco Fernandes Coutinho, donatário da capitania hereditária do Espírito Santo, chegou a ser condenado por “beber fumo” com os índios. (a expressão “beber fumo” era usada pelos Jesuítas, por não existir no vocabulário português a palavra fumar, que foi introduzida em 1589).

Apesar dos Jesuítas evitarem aderir aos costumes indígenas, os padres faziam vista grossa para o fumo, acreditando que a “erva santa” fazia à saúde, curava feridas, eliminava o catarro e aliviava o estômago da alimentação brasileira. Esse falso entendimento passava de mezinha para o vício.

O tabaco fez tanto sucesso no litoral de São Paulo que Luís de Góis, um dos fundadores da capitania de São Vicente, resolveu levar uma amostra da planta (fumo) ao rei de Portugal. Na corte, a planta chamou a atenção de Nicot, embaixador francês em Portugal. Entusiasmado pela novidade, o diplomata mandou , em 1560, uma remessa de fumo para sua rainha Catarina de Médice, que achou o tabaco tão importante que o utilizou para aliviar as suas enxaquecas, fazendo a planta cair no gosto dos franceses, apesar dos seus efeitos nocivos à saúde.

O embaixador Nicot, acabou emprestando seu sobrenome para o nome científico da erva (Nicotiana tabacum), assim como da substância “nicotina”. Os primeiros carregamentos de tabaco para a Europa foram exportados pelo Brasil/São Paulo, que data de 1548. Por quase três séculos o produto foi o segundo maior fator econômico do País, sendo a cana-de-açúcar o primeiro lugar.

Séculos depois, com a industrialização, surgiu o cigarro, e o hábito de fumar resultaria, conforme a Organização Mundial de Saúde, prejudicial à saúde dos fumantes ativos e passivos, Houve também o uso do rapé, ou torrado, acarretando várias mortes. O processo de fabrico , em 1709, ainda era desconhecido na Inglaterra.

 O governo brasileiro, para conter o uso do tabaco, em suas diversas modalidades, a partir da década de 1980, proibiu o seu uso em recintos coletivos privados e públicos, havendo indisfarçável insatisfação dos usuários pelas medidas decretadas. Diante da propaganda abrangente de restrição ao tabagismo, houve reação dos fumistas, principalmente da juventude que aderiu ao uso do rapé por ser essa modalidade de uso livre. Utilizam-no à vontade, em qualquer lugar, sem nenhuma discriminação e por não serem importunados.

 

Antonio Novais Torres

[email protected] – Brumado, em 18/04/2021.  

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres

Antônio Novais Torres é comerciante aposentado, membro fundador da Academia de Letras e Artes de Brumado, membro do Conselho da Cidadania de Brumado, ex-membro do PMDB e PTB e membro do Conselho Editorial do Jornal do Sudoeste.
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