Pesquisa da Uesb aponta benefícios da Terapia Comunitária Integrativa

Por: Ascom UESB VCA

Ressignificação da vida cotidiana dentro da comunidade acadêmica. Foi com esse propósito que um grupo de terapeutas comunitárias e pesquisadores da Uesb, no campus de Jequié, desenvolveram um estudo que trouxe à tona a importância do diálogo na resolução dos problemas pessoais e corriqueiros do dia a dia.

Intitulada de “Terapia Comunitária Integrativa e Promoção da Saúde Mental em Universidades Estaduais”, a pesquisa contou com a participação de 18 membros da comunidade acadêmica da Uesb, entre alunos, professores e servidores técnicos. Ao longo de três anos, os participantes se encontraram em reuniões que duravam cerca de 60 minutos para conversarem sobre assuntos que favoreciam a construção de vínculos, a empatia e a intersubjetividade entre seus membros.

De acordo com Patrícia Anjos de Carvalho, terapeuta comunitária e docente que integra o grupo de pesquisa, responsável pelo estudo, o espaço proporcionava aos participantes a capacidade de desenvolver o exercício da fala e escuta, a valorização das experiências de vida, o resgate da identidade, a restauração da autoestima, a ampliação da percepção dos problemas e as possibilidades de resolução com base nas competências pessoais.

A conversa é o remédio – A Terapia Comunitária Integrativa (TCI) é uma tecnologia cuidativa criada pelo psiquiatra e professor Adalberto Barreto. “Ela consiste em estimular a utilização de provérbios para suscitar a reflexão e mobilizar o diálogo nas rodas de conversa. O Pensamento Sistêmico, a Teoria da Comunicação (Watzlawick), a Pedagogia de Paulo Freire, a Antropologia Cultural e a Resiliência são os cinco pilares teóricos sustentados nesse tipo de terapia, que possibilitam a autopromoção da saúde mental nos participantes”, conta a pesquisadora.

Os diálogos desenvolvidos na roda passam por seis etapas que são fundamentais para que o processo ocorra com aproveitamento. De acordo com Carvalho, o primeiro passo é o acolhimento dos membros. Em seguida, vem a definição do tema da roda, a contextualização do assunto, sua problematização, o encerramento e, o mais importante, os encaminhamentos das queixas refletidas naquele momento. Para ela, a TCI é um ambiente acolhedor e caloroso que favorece a construção de vínculos solidários, bem como incentiva a busca de soluções e superação dos desafios do cotidiano.

Avanço da pesquisa – Com o resultado do estudo, foi constatado que a Terapia Comunitária Integrativa é uma importante aliada na atenção à saúde mental dos universitários. “As rodas permitem o compartilhamento de sofrimento, favorece a experiência do ‘eu posso’. O ambiente rico em diversidade cultural é propício para a construção de autonomia, autoestima e empoderamento”, considera a pesquisadora.

Mas é importante que essa prática seja ampliada. Conforme Carvalho, “há necessidade de ampliação do número de terapeutas comunitários para atuarem tanto no cenário acadêmico quanto em outros ambientes em que haja carência de espaços de fala, de expressão de angústia, sofrimento e problemas, favorecendo a construção de estratégias de resolução, resiliência e transcendência”.

O estudo foi feito em parceria com o Grupo de Estudos e Pesquisas de Saúde Mental da Uesb, coordenado pela professora Edite Lago da Silva Sena, e contou com a participação de colaboradoras e bolsistas do curso de Enfermagem. A iniciativa atua em parceria com terapeutas comunitárias do Movimento Integrado de saúde Comunitária (Mismec), sediado em Salvador.

Com encontros semanais, o grupo de pesquisa “Rodas de Terapia Comunitária Integrativa” realiza, todas as terças-feiras, às 18h30, momentos de socialização com os membros da comunidade acadêmica. Os interessados em conhecer a ação podem acessar o site da roda de conversa.

 

 

 

 

Foto de Capa: Ascom

Jornal do Sudoeste

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