Piercings e tatuagens na boca: é possível diminuir riscos?

Por ser uma área com alto número de bactérias, procedimentos feitos sem os devidos cuidados podem causar infecções e outras complicações

 

Por: Central Press

 

Quem tem piercings e tatuagens, em geral, não se contenta apenas na primeira experiência, já que as opções são infinitas. As tão populares modificações corporais têm um custo acessível e uma grande disponibilidade de locais onde podem ser feitas. E entre as partes do corpo escolhidas para os piercings e tatuagens, a boca tem aparecido com mais frequência nos últimos anos, principalmente no interior dos lábios, língua e gengiva.

Mas as modificações nesses pontos podem provocar complicações, por conta de características como a posição dos nervos e vasos sanguíneos. “Há um risco alto de contrair infecções pelas características da mucosa, já que os furos atingem muitos vasos sanguíneos que absorvem a tinta, ou então pelas condições dos materiais utilizados para realização das tatuagens ou aplicação dos piercings. Por isso, é importante sempre escolher profissionais confiáveis, respeitar o período de cicatrização e higienizar o local”, explica o dentista e especialista em saúde coletiva da Neodent, João Piscinini.

Tatuagem nos lábios

Por serem regiões com alto nível de vascularização, os lábios são áreas perigosas para incisões como tatuagens. “A boca humana possui centenas de espécies de bactérias e precisa de acompanhamento médico constante. Os problemas mais comuns de piercing oral incluem sangramento excessivo, infecções e lesões na boca e nos dentes. Há também inchaço, cicatrizes e danos aos nervos”, ressalta a infectologista do Hospital Marcelino Champagnat, Camila Ahrens.

Além de ser arriscado, o procedimento também não é permanente: a mucosa se renova com facilidade e não absorve a tinta como outras partes do corpo. Após algum tempo, será necessário fazer o retoque da tatuagem. Em contrapartida, essa habilidade de renovação das células propicia uma rápida cicatrização do procedimento, desde que feito com agulhas finas e que não agridam tanto o local.

Piercings

Também por conta do alto número de microrganismos, a boca precisa de um cuidado especial quando se trata de aplicar piercings. É necessário manter a higiene bucal antes mesmo do procedimento, para evitar complicações decorrentes de alguma infecção não detectada. “É importante conversar com seu dentista sobre qualquer procedimento na boca. Exames de rotina identificam possíveis alterações na saúde bucal que podem se transformar em complicações pós-cirúrgicas”, explica o dentista.

Os piercings podem ser aplicados em diversas áreas: nos lábios e suas extremidades, gengiva e língua. O material deve ser hipoalergênico e colocado por profissionais com experiência, e em locais que sigam as normas de biossegurança recomendadas pelo Ministério da Saúde. “Além da atenção com o local e aplicação, é essencial perceber que patologias prévias podem causar complicações. Embora seja incomum, alguns pacientes precisam de internação hospitalar e tomar antibióticos intravenosos para tratar infecções na língua e no assoalho da boca”, alerta a infectologista.

 

 

 

Foto de capa: Envato

Jornal do Sudoeste

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