Política Brasileira: O Reality Show de Mitômanos e da Incompetência de Aventureiros

Publicado em

WhatsApp
Facebook
Copiar Link
URL copiada com sucesso!

JÚLIO CÉSAR CARDOSO

No Brasil, ser político é tão simples quanto virar coach motivacional. Não precisa de diploma, não precisa de experiência, não precisa de nada além de uma boa dose de cara de pau. Basta acordar um dia e pensar: “Que tal ser vereador? Ou melhor, presidente? Parece divertido, paga bem e ainda me chamam de excelência!”. É a profissão dos que não passaram em concurso, despreparados e incompetentes, não tiveram coragem de abrir um negócio, ou simplesmente cansaram de ser inúteis sem título. 

Grande parte dos que ingressam na vida pública não o fazem por vocação ou competência, mas por conveniência. Há os que não conseguem se estabelecer em carreiras honestas, os empresários que buscam resolver problemas particulares de suas empresas, os aposentados, advogados, médicos, professores, delegados, militares etc. que buscam o cabide de emprego e as benesses públicas, e aqueles políticos que não largam o osso porque acreditam ser indispensáveis. Esquecem que o cemitério está cheio de ex-políticos cuja ausência jamais foi sentida.  

Se fosse possível, substituiríamos todos por inteligência artificial. Ao menos, a IA não pediria reembolso de gasolina, não faria rachadinha, não pediria dinheiro a banco para financiar filmes de familiares políticos e não confundiria a Constituição com receita de pão de queijo. Mas como ainda não chegamos lá, resta imaginar uma solução mais plausível: criar um curso obrigatória para políticos. Um ano de curso intensivo, com aulas de economia (spoiler: não se governa só com “fé em Deus”), ética (a disciplina mais difícil) e Constituição (não, não é manual de churrasco). 

Para presidenciáveis, o currículo seria ainda mais caprichado: inglês básico (sem direito a popcorn), boas maneiras (como não dar tapinha nas costas da Rainha) e diplomacia internacional (aprender que tratados não se negociam como abacaxi na feira). Também seria necessário um curso de apresentação pessoal.  Afinal, política não é capa de super-herói e faixa presidencial não é fantasia de escola de samba. 

Enquanto essa profissionalização não ocorre, seguiremos elegendo figuras medíocres, mitômanos e oportunistas, reflexo não apenas da incompetência de candidatos, mas também da incapacidade do eleitorado de distinguir liderança de entretenimento. O futuro da política brasileira depende sobretudo da maturidade de seu povo. 

Deixe um comentário

Jornal Digital
Jornal Digital Jornal Digital – EdiÇÃo 760